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“Carta aberta à sociedade: o Brasil exige respeito”

Banqueiros divulgaram carta sobre pandemia. (Foto: Reprodução/TV Globo)
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Como se não bastasse as flagrantes violações à nossa Constituição praticadas pelos parlamentares do Congresso Nacional, aprovando medidas de interesses próprios, pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, legislando em favor próprio, pelos governadores e prefeitos, desviando recursos da saúde e governando através de decretos ilegais e espúrios, mandando prender trabalhadores que por falta de opção estão trabalhando para levar o leite e o pão de cada dia aos filhos sem poder aderir ao “fique em casa”, agora, 1 ano depois, hipocritamente, entram em cena os banqueiros, ex-ministros, ex-presidentes do Banco Central, entre outros. Eles divulgaram um “CARTA ABERTA À SOCIEDADE”, em que, em uma leitura mais atenta, constatamos o seu viés político de cobrança ao Governo Federal no enfrentamento a pandemia. Esse viés pode ser observado nos trechos a seguir:

“…Brasil é hoje o epicentro mundial da Covid”, “…não será superada enquanto a pandemia não for controlada por uma atuação competente do governo federal”.

“…A saída definitiva da crise requer a vacinação em massa da população”, “…estamos atrasados…”, “E que impressiona a negligência com as aquisições”, “Esta recessão, assim como suas consequências sociais nefastas, foi causada pela pandemia e não será superada enquanto a pandemia não for controlada por uma atuação competente do governo federal”.

“Estamos no limiar de uma fase explosiva da pandemia e é fundamental que a partir de agora as políticas públicas sejam alicerçadas em dados, informações confiáveis e evidência científica. Não há mais tempo para perder em debates estéreis e notícias falsas.”

” A necessidade de adotar um lockdown nacional ou regional deveria ser avaliado.”

” Apesar do negacionismo de alguns poucos, praticamente todos os líderes da comunidade internacional tomaram a frente no combate ao Covid-19 desde março de 2020, quando a OMS declarou o caráter pandêmico da crise sanitária.”

“Líderes políticos, com acesso à mídia e às redes, recursos de Estado, e comandando atenção, fazem a diferença: para o bem e para o mal. O desdenho à ciência, o apelo a tratamentos sem evidência de eficácia, o estímulo à aglomeração, e o flerte com o movimento antivacina, caracterizou a liderança política maior no País. Essa postura reforça normas antissociais, dificulta a adesão da população a comportamentos responsáveis, amplia o número de infectados e de óbitos, aumenta custos que o país incorre….”

“O país pode se sair melhor se perseguimos uma agenda responsável. O país tem pressa; o país quer seriedade com a coisa pública; o país está cansado de ideias fora do lugar, palavras inconsequentes, ações erradas”.

Em um momento no qual deveríamos atuar pela união de todos os setores da sociedade para combater o inimigo comum (a pandemia), essa tal carta só tem um objetivo: desmerecer o atual presidente e dividir ainda mais a sociedade. Não tem outra definição.

A carta é dos economistas Pedro Malan e Armínio Fraga Neto, presidente do Banco Central, Ministro da Fazenda no governo de Fernando Henrique Cardoso; Rubens Ricupero, Ministro do Meio Ambiente e Ministro da Fazenda no governo de Itamar Franco; e Affonso Celso Pastore, presidente do Banco Central no governo João Figueiredo. Obviamente, todos tem motivos de sobra para combater o atual governo. Fazem parte politicamente da oposição. Entretanto, ainda não é o momento para atuar eleitoralmente em plena pandemia. As eleições só irão acontecer no final de 2022. A tal “carta” é um ato político usado eleitoralmente. Se estamos motivados a combater a pandemia, não será com divisionismo, e sim com união de todos.

Quanto à banqueirada, em particular Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles (Itaú), nunca ganharam tanto dinheiro como nos governos Lula e Dilma. A farra parece que acabou. Isso justifica fazerem parte desse protesto. Mas não deixa de ser muita hipocrisia se levarmos em consideração que esses banqueiros fecharam dezenas de agência, demitiram sumariamente 12.794 bancários em 2020 e continuam dispensando em plena pandemia.

Carlos Augusto (Carlão)
Jornalista, sindicalista e advogado

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