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Opinião: Dinheiro vermelho para luta política sindical

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Muito embora a grande imprensa não tenha dado muita importância (e sabemos porquê), cabe destacar que o movimento sindical Chinês, através da Federação Nacional dos Sindicatos da China (ACFTU – All-China Federation of Trade Unions), à pedido do Fórum das Centrais Sindicais, composta por CSB, CUT, Força Sindical, UGT, CTB e NCST, doou US$ 300 mil (cerca de R$ 1,74 milhão), para um suposto combate à Covid-19.

Obviamente, a imprensa não deu muita importância, e nem dará, pois sabemos que a grana não se destina ao combate à doença, a menos que as Centrais Sindicais doem esses recursos para os hospitais públicos adquirirem vacinas e insumos destinados aos tratamentos dos doentes. Não há outra opção.

Fato é que o imobilismo e o peleguismo contagiou as lideranças sindicais de tal modo que, desde 2002, com a eleição do Lula, nada fizeram para proteger os direitos dos trabalhadores. Exemplo desse imobilismo foi a falta de enfretamento na “Reforma Trabalhista”, que rasgou literalmente a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho de 1943, e o pouco que restou do código virou uma “colcha de retalho”.

Veio a “Reforma Previdenciária” e, novamente, nada foi feito pelo movimento sindical para proteger os trabalhadores prestes a se aposentar e aqueles que futuramente um dia se aposentarão.

Ainda o imobilismo em plena pandemia, em plena anarquia judicial imposta pelos ministros do STF, pelos prefeitos e governadores, governando através de decretos que violam a nossa Constituição no direito de ir e vir, no sagrado direito ao trabalho, quando trabalhadores formais e informais são agredidos, algemados por policiais civis, militares e até guardas municipais, tendo suas mercadorias apreendidas e etc.

Mas o verdadeiro destino dos recursos chineses sabemos qual será. Basta analisar o agradecimento de Antonio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros):

“Nós somos muito gratos por esse apoio da Federação Nacional dos Sindicatos da China, que vai permitir que as centrais ajudem milhares de pessoas que estão sofrendo os impactos devastadores da pandemia. Mais uma vez, a solidariedade dos trabalhadores se sobressai às loucuras, ao negacionismo e ao ódio plantados por esse desgoverno genocida e incompetente”, afirmou. E completou: “Esse intercâmbio com o movimento sindical chinês é muito importante para os trabalhadores do Brasil.”

Esta aí o destino dos recursos chineses. Com certeza absoluta, o destino desses recursos, infelizmente, não favorecerá os trabalhadores. Gostaria muito que esses recursos fossem destinados aos hospitais públicos, embora seja uma utopia de minha parte.

A mamata dos congressistas não tem limites

Achando pouco os R$ 12 bilhões que o o Congresso Nacional consome por ano dos cofres públicos, a Câmara dos Deputados, ignorando solenemente a pandemia provocada pela Covid-19, ignorando os mais de 330 mil óbitos desde  o início da pandemia, ignorando os 50 milhões vivendo abaixo da linha da miséria e os 15 milhões de desempregados, reajustou de R$ 50 mil para R$ 135,4 mil o valor do reembolso de despesas de assistência com saúde dos parlamentares, um aumento de 170,8%. A justificativa é que o valor estava defasado.

Enquanto isso o povão, sem hospitais, sem atendimento médico, sem remédios, sem leitos de UTIs, chora pelos mortos.

Que país é esse?!

Carlos Augusto (Carlão)
Jornalista, sindicalista e advogado

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