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A CPI da Cloroquina

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
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De repente, todo mundo virou médico e cientista. São os ministros de “capa preta” dando ultimatos absurdos e inconstitucionais a ANVISA ao autorizarem os estados, os municípios e o Distrito Federal a importar e distribuir vacinas contra a Covid-19 que foram registradas por autoridades sanitárias estrangeiras e liberadas para distribuição comercial nos respectivos países, caso a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não observe o prazo de 72 horas para a expedição da autorização.

A grande imprensa escrita e televisiva, que se posiciona contrária ao governo federal, tem os seus repórteres durante 24 horas por dia, há 360 dias, com o mesmo discurso: “O tratamento precoce não tem comprovação científica”. Os políticos oposicionistas, também com o mesmo discurso inventaram, com o apoio dos 11 da “capa preta”, a CPI da Covid.

Com a convicção de que o povo brasileiro não tem memória, a tal Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) é presidida pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), envolvido em corrupção em investigação do Ministério Público Federal sobre desvios de mais de R$ 260 milhões em recursos da saúde no Estado do Amazonas. O senador está com bens bloqueados, passaporte retido em razão dessas investigações promovidas na operação “Maus Caminhos”, considerada por muitos o maior escândalo de corrupção do Amazonas. A esposa do senador e seus irmãos chegaram a ser presos.

A CPI ainda tem como relator a “velha raposa” Renan Calheiros, outro corrupto envolvido em vários escândalos da “Lava Jato”, que recentemente teve arquivadas as apurações da Lava Jato pelos onze políticos do partido STF, mesmo sendo alvo de quase trinta apurações, ainda com investigações em curso.

A “raposa velha” tem seu nome vinculado a suspeitas de desvios na Transpetro, subsidiária da Petrobras, e a recebimento de propina em troca de sua atuação legislativa para atender interesses de empreiteiras. A Segunda Turma do Supremo recebeu em dezembro de 2019 parte da denúncia da PGR contra o parlamentar, sob a acusação de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Parece piada, mas esse é o relator que pediu a prisão preventiva do ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten, sob a suposta alegação de que o depoente mentiu durante seu depoimento à comissão.

A postura desses senhores de conduta corrupta não tem precedentes. Se comportam como se fossem cidadãos de conduta ilibada e, com a maior “cara de pau”, estão presidindo e relatando uma CPI que tinha tudo para dar certo e apurar tudo que envolve as ações de combate a pandemia causada pela Covid-19, principalmente com relação aos prefeitos e governadores, incluindo os governos do Amazonas, Alagoas e Pará, que receberam milhares de recursos financeiros do governo federal, cujo destino desses recursos está sendo apurados pela PF.

A postura daqueles que são contrários ao governo federal demonizaram o tratamento precoce pelo uso da Hidroxicloroquina, Azitromicina e Ivermectina no combate a pandemia. Se é certo que esse coquetel de remédios não tem comprovação científica na cura da Covid-19, também não está comprovado que eles, no tratamento precoce, tenham efeitos maléficos aos contaminados. O que se sabe é que muitos contaminados que se trataram precocemente com esse coquetel de remédios se curaram.

Pelo sim ou pelo não, o fato é que não devemos descartar qualquer medicamento que possa ser utilizado contra essa pandemia que vem levando a óbito milhares de brasileiros. O que não dá é para ficar em casa e só ir ao hospital se estiver sentido falta de ar e sem paladar, como foi a orientação do então ministro Luiz Henrique Mandetta. Lembram?

Carlos Augusto (Carlão)
Jornalista, sindicalista e advogado

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