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Com depoimento de Wajngarten, CPI segue rodadas inconclusivas

Fabio Wajngarten teve pedido de prisão por Renan Calheiros (EDILSON RODRIGUES/AGENCIA SENADO)
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Da Redação

A segunda semana de audições da CPI da Pandemia seguiu com muitos depoimentos confusos e com nova rodada inconclusiva. Quem chamou atenção nos depoimentos foi o ex-secretário especial de Comunicação Social Fábio Wajngarten. Em seu depoimento, ele disse que “a  impressão que se tem é equivocada em dizer que o governo não comunicou com muita técnica e isenção e profissionalismo”,

 

Aos senadores, o ex-secretário – que esteve no governo de abril de 2019 até março deste ano – afirmou que sempre teve liberdade para estabelecer as estratégias de comunicação do governo federal. “Ao menor sinal de interferência, eu teria ido embora”, disse Wajngarten, que é a quinta pessoa a prestar depoimento à CPI.

Seus depoimentos contraditórios gerou revolta no relator da Comissão Parlamentar, o senador Renan Calheiros. Ele pediu a prisão de Fabio Wajngarten, ex-secretário especial de Comunicação Social da Presidência da República. O senador acusa Wajngarten de mentir à CPI, onde o depoimento é dado sob a obrigação de dizer a verdade.

Entretanto, o presidente da comissão, o senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que não irá determinar a prisão do ex-secretário especial de Comunicação Social. Para ele, “é preciso ter muita cautela para que não pareça que, aqui, nós somos um tribunal que já está ouvindo e condenando”.

Quem também foi ouvido nesta semana foi o gerente-geral da Pfizer na América Latina e ex-presidente da empresa no Brasil, Carlos Murillo. Ele afirmou que a farmacêutica norte-americana fez várias ofertas de venda de vacina contra Covid-19 ao governo brasileiro. As primeiras negociações, explicou, foram iniciadas em março de 2020, mas o contrato com a farmacêutica foi concretizado um ano depois, em 21 de março de 2021. Pela proposta – que contemplava 30 milhões ou 70 milhões de doses do imunizante – seriam distribuídas 500 mil em 2020 e o restante entre os quatro trimestres deste ano. Já na segunda oferta, de 18 de agosto, o número de doses ofertadas para 2020 aumentou, sendo um total de 1,5 milhão e o restante em 2021.

Em 26 de agosto, ficou negociado que seriam 3 milhões para o primeiro trimestre, 14 milhões no segundo, 26,5 milhões no terceiro trimestre e 25 milhões de vacinas no quarto. Após esse contato da Pfizer, Murillo disse que o governo “não aceitou, tampouco rejeitou” a oferta feita pela empresa. Segundo ele, como a Pfizer estava em processo de tratativas com o governo, a proposta tinha validade de 15 dias e não houve retorno por parte do governo brasileiro.

AUDIÇÃO SUSPENSA COM FLAVIO BOLSONARO

Na última quarta-feira, o clima esquentou com o depoimento do senador Flavio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro. Apesar de não ser integrante da CPI da Pandemia, Flávio pediu a palavra e disparou contra Renan Calheiros.

Imagina a situação: um cidadão honesto ser preso por um vagabundo como Renan Calheiros. Olha a desmoralização”, atacou o senador pelo Rio de Janeiro.

Calheiros respondeu em seguida: “Vagabundo é você, que roubou dinheiro de pessoal no seu gabinete”, afirmou Renan Calheiros. “Você que é”, emendou.

Na sequência, Flávio Bolsonaro disse que Renan quer “aparecer”, usar a CPI como “palanque” e usou um palavrão: “Se f…”.

Por fim, após tantos bate-bocas, o presidente da CPI, Omar Aziz, resolveu suspender e pediu mais respeito entre os parlamentares. Por fim, a audiência foi retomada e teve a entrada do ex-secretário especial de Comunicação Social Fábio Wajngarten.

BOLSONARO VOLTA A IRONIZAR A CPI

O presidente Jair Bolsonaro voltou a ironizar a CPI da Pandemia. Em conversa com apoiadores, ele lembrou da declaração do relator da Comissão, o senador Renan Calheiros, que afirmou, no início do mês, que o objetivo do colegiado não é investigar desvio de dinheiro público. Inicialmente, de fato, isso não estava no escopo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). O foco era investigar apenas as ações do governo federal no combate à pandemia. 

O Palácio do Planalto, então, articulou a base governista para impedir que o colegiado fosse instalado. Mas o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o início dos trabalhos e o governo começou a trabalhar para ampliar o escopo da investigação e incluir, também, suspeitas de desvios de dinheiro público por parte de governadores e prefeitos.

“Vocês viram o Renan Calheiros essa semana? ‘A CPI não existe para investigar desvios de recursos’. Vou dar sugestão para depois fazer a CPI do leite condensado”, afirmou o presidente.

Além disso, na inauguração das obras de transposição do Rio São Francisco, no estado onde o filho de Renan Calheiro é o governador, o presidente voltou a atacar o relator e repetiu os mesmos xingamentos de Flávio Bolsonaro sobre o relator.

“Se Jesus teve um traidor, temos um vagabundo inquirindo pessoas de bem no país. É um crime o que vem acontecendo com essa CPI. Mas o que interessa são as boas ações”, disparou.

O atual ministro da saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que está à disposição para falar mais uma vez na CPI. O atual ministro da pasta já falou na primeira semana com os senadores.

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