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No mês que marca a Abolição da Escravatura artistas do Coletivo Pé na Porta refletem sobre a “falsa abolição no Brasil”

Fonte: Reprodução
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Atores do Coletivo Pé na Porta refletem sobre o dia 13 de maio, marco da Abolição da Escravatura. Os artistas avaliam a vida da população negra e o que mudou 134 anos após a assinatura da Lei Áurea em 1888.

A data marca oficialmente o fim da escravidão no Brasil, último país a abolir a prática. A população negra foi liberta, mas não recebeu nenhum amparo do Estado e da sociedade. A herança escravagista reflete até hoje na desigualdade entre brancos e negros.

“Invisíveis” espetáculo do Coletivo Pé na Porta aborda essas e outras questões sofridas por trabalhadores pretos da atualidade. Além do espetáculo, exibido de forma online, o grupo prepara um documentário, que estreia em breve, sobre o assunto.

Cridemar Aquino – Crédito: Reprodução

Resposta Cridemar Aquino

13 de maio é um dia de comemoração?

“Não! Definitivamente é um dia para olharmos com muita inteligência e entendermos todo o processo violento a que nossos corpos foram submetidos. Todo esse processo vergonhoso para o Brasil que foi o último a “ abolir “ a escravidão, só denota os reflexos dessa sociedade, baseada na exploração de corpos pretos , na discriminação, e na diminuição do valor da humanidade de nossos corpos.”

Como a pandemia afetou os artistas pretos e o que podemos fazer para diminuir as sequelas da Covid-19 na vida profissional e social da população preta?

“A pandemia mata muito mais pessoas pretas. No caso dos artistas, esse é um fator muito importante, uma vez que artistas pretos são preteridos de um modo geral em trabalhos artísticos. Sendo assim, a vida artística que já sofre sistematicamente, para artistas pretos é uma grande catástrofe. Mesmo nesse processo da Lei Aldir Blanc , em que alguns projetos foram contemplados, artistas pretos foram e estão sendo lesados por contratantes e ganhadores dos fomentos. É uma prática ainda mais cruel , mas que reproduz toda a lógica racista de exploração.”

 

Raphael Rodrigues – Credito: Reprodução

Resposta Raphael Rodrigues

Como avalia a vida da população negra após a abolição ?

“Uma vida cheia de mazelas sociais que não foram dissipadas. E com passos fortes , que apesar de muita luta e grandes representantes , ainda é sufocada e aniquilada no tocante às suas potências e sonhos . Ainda pessoas pretas estão presas, e amordaçadas por um sistema cruel e cínico da sociedade brasileira elitista.”

Milton Filho – Crédito: Reprodução

Resposta Milton Filho

Qual o reflexo da abolição para artistas pretos no teatro, audiovisual e artes em geral?

O mercado áudio visual tem avanços que ainda não nos colocam num patamar equitativo. Ainda somos uma parcela ínfima em produções e com dramaturgias que não nos favorecem. Ainda há muito estigma. E é urgente uma revolução global nesse sistema e em todas as áreas em que o áudio visual emprega. É preciso que tenhamos diretores, cineastas, autores, produtores de elenco, diretores de arte … pretos conscientes do papel da representatividade! Nesse sentido, somente pessoas que já viveram essas situações seriam capazes de realmente provocar uma revolução.

 

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