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Prefeitura do Rio reabre Palacete do Museu Histórico da Cidade, fechado há dez anos

Museu Histórico da Cidade/Parque da Cidade (Foto: Divulgaçõão/Prefeitura Rio)
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O prefeito Eduardo Paes e o secretário municipal de Cultura, Marcus Faustini, reabriram nesta terça-feira (18) o Palacete do Museu Histórico da Cidade, depois de 10 anos sem visitação. Localizado no Parque da Cidade, na Gávea, o antigo solar do início do século XIX teve o interior e a fachada restaurados. A reabertura marca a retomada gradual das atividades abertas ao público nos equipamentos culturais, respeitando os protocolos sanitários. Por conta da pandemia, haverá controle do número de visitantes, restrito a grupos de 15 pessoas por vez.

Em seu discurso, Paes afirmou que vai apostar “muito forte na cultura como principal fator de retomada do desenvolvimento e de renascimento do Rio”.

“É um lugar especial, uma das partes mais bonitas do Rio de Janeiro. Para quem nasceu na Zona Sul, como eu, gera uma enorme memória afetiva. Tive algumas festinhas de aniversário aqui, quando era criança. Minha avó tinha a mania de trazer os netos para fazer piqueniques no Parque da Cidade. Temos que valorizar esse espaço, manter, fazer a segurança adequada, a limpeza necessária, para que as pessoas voltem a frequentar o Parque da Cidade. É um espaço lindo, fantástico”, destacou, para em seguida completar:

“Os moradores vão poder frequentar, fazer daqui um programa, aprendendo a história do Rio e também convivendo neste local que é a cara da cidade. Que alegria poder estar aqui entregando esse espaço à população, vamos cuidar com carinho. Esse é um equipamento público que pertence a todos os cariocas”, concluiu.

A retomada será marcada por uma exposição de longa duração com 482 peças do acervo do Museu (são 24 mil itens pertencentes à instituição, ao todo), desde estandartes do século XIX, aquarelas de Debret e gravuras de Thomas Ender até os planos para a abertura da Avenida Central e objetos do dia a dia dos moradores do Rio. Poderão ser vistos 112 itens no 1º andar e 370 no 2º.

“É um espaço muito importante não só para a Zona Sul e para o entorno, que envolve os moradores da Gávea e da favela Vila Parque da Cidade, mas para todo o Rio, que terá acesso novamente ao acervo, patrimônio e um espaço de cultura, seguindo todos os protocolos de segurança”, destacou o secretário municipal de Cultura, Marcus Faustini.

O projeto básico de reforma foi desenvolvido pela Rio-Urbe, que contratou e fiscalizou a obra do museu, orçada em cerca de R$ 4 milhões. A sede principal e a capela foram totalmente restauradas e o Casarão, adaptado para deficientes físicos com a inclusão de um elevador e rampas de acessibilidade.

“A obra perdurou por um bom tempo, cerca de 10 anos. É muito importante a reabertura pela quantidade de acervo que existe dentro do museu e por ser mais um equipamento devolvido para a cidade, este dentro de um parque. Isso só vem a engrandecer e melhorar a própria cultura”, disse o presidente da Rio-Urbe, Rafael Salgueiro.

O diretor do museu, Alexandre Valadão Rios, convidou a população para visitar o equipamento cultural.

“É muito importante essa reabertura depois de passar uma década fechado. Que a população venha conhecer. É uma satisfação entregar o Museu Histórico da Cidade para os cariocas”, disse.

Moradora da comunidade Parque da Cidade, próxima ao museu, a estudante Mylena Almeida, de 18 anos, entrou pela primeira vez no local que conta a história da cidade. Foi, segundo ela, uma emoção indescritível.

“É lindo o equipamento, assim como o seu entorno. Quero que isso nunca mais fique abandonado, como já foi”, comemorou.

Preciosidades, relíquias e curiosidades locais

Uma das relíquias guardadas no Palacete é uma arca onde ficava o dinheiro arrecadado pela tributação do vinho para a construção dos Arcos da Lapa, com uma curiosidade que diz muito sobre a realidade do nosso país. O objeto tinha três chaves, e cada uma delas ficava com uma personalidade política da época, século XVIII. A arca só podia ser aberta quando os três se juntavam. A obra de construção dos Arcos durou cem anos. Uma luta histórica.

Uma parte importante do acervo de raridades dispõe de peças doadas por ex-prefeitos do Rio. Uma tradição. Pedro Ernesto e Pereira Passos, por exemplo, doaram mobiliário, louças de porcelana e condecorações. Um aparelho de jantar completo do primeiro e um guarda-casaca em madeira do segundo integram a coleção, que tem ainda documentos de Carlos Sampaio e placas de homenagens de Cesar Maia.

O grande destaque, no entanto, é uma estátua toda em mármore, sem autoria, herdada do eclético Palácio Monroe (antigo Senado Federal), demolido em 1976, por decisão do então presidente Ernesto Geisel. “A festa” é o nome da obra na forma de uma mulher segurando um pandeiro. Chamam atenção também a escultura da cabeça do Cristo Redentor feita pelo franco-polonês Paul Landowski nos anos 1920 – que inspirou o monumento -, fantasias de Clóvis Bornay, fotos de Marc Ferrez e Augusto Malta, pinturas do italiano Eliseu D’Angelo Visconti e uma canoa Maori presenteada pelo Consulado da Austrália pelos 450 anos do Rio, em 2016.

Exposições temporárias na casa de banhos

Pertinho dali, o Pavilhão de Exposições Temporárias do Casarão (antiga casa de banhos da propriedade) também será reaberto, depois de pouco mais de um ano fechado em razão da pandemia. Inaugurado em 2016, o imóvel de estilo colonial e três andares receberá, até maio do ano que vem, a mostra “Rio de Festas, a cidade como palco”, a partir da coleção do Museu Histórico da Cidade.

Reunião no Museu Cidade (Foto: Divulgação/Prefeitura Rio)

O recorte é uma reflexão sobre o retorno às ruas pós-pandemia e o sentido das festas, por meio dos diversos eventos que a cidade do Rio abriga, dos carnavais às rodas de samba. Estarão expostas 17 peças do acervo (bustos e placas) e mais de 60 reproduções, incluindo textos do escritor, professor e historiador Luiz Antonio Simas.

A exposição revela, através das festas, diferentes formas de viver e ver o mundo, ampliando a percepção da cidade e sua história, além de ressaltar a importância do festejo como ato fortalecedor de laços sociais.

No complexo também tem uma capela, aberta à visitação aos sábados e domingos, e o Café Épico, com opções de lanche, cestas de piqueniques (nos fins de semana) e seis mesinhas com ombrelone ao ar livre.

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