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Duda Beat lança seu novo clipe “Nem Um Pouquinho” e conversa com o JornalDR1 sobre a produção, mulheres na indústria e novo álbum

Duda Beat. Crédito: Fernando Tomaz
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*Por Fabiana Santoro

Duda Beat lançou nesta quarta-feira (30) o clipe “Nem Um Pouquinho”, novo single do seu segundo álbum de estúdio que conta com um visual futurista e produção artística impecável. A artista conversou com o JornalDR1 sobre seu mais novo videoclipe, desafios das mulheres na indústria e seu novo álbum “Te Amo Lá Fora”

Nascida no nordeste no Brasil, a cantora Duda Beat tem se mostrado cada vez mais uma revelação na música brasileira. Com apenas 33 anos, a pernambucana conquistou o Troféu APCA de revelação de 2018 e teve o seu álbum de estreia incluído na lista dos dez melhores discos nacionais do ano da revista Rolling Stone.

A cantora ficou conhecida como “musa da sofrência” com seu repertório versátil misturando batidas e ritmos diferentes. Duda Beat retrata suas desilusões amorosas e a importância do amor próprio. Em 2021 a artista embarcou na experiência de lançar um álbum em plena pandemia, mantendo a raiz brasileira e o resgate aos ritmos nordestinos, “Te Amo Lá Fora” seu segundo álbum de estúdio é carregado de histórias transparentes sobre a vida e o amor. 

JDR1 –  As composições de seu primeiro álbum de estúdio “Sinto Muito”, gravado em 2018, representam um amor que não deu certo, uma mulher apaixonada e magoada. Em “Te amo Lá Fora”, vemos uma história parecida, porém, de um outro modo. Quais foram suas inspirações para as músicas e como você acredita que elas contam uma história diferente do seu primeiro álbum?

Duda Beat – O amor é uma grande inspiração para mim. Acho que esse é um assunto com o qual todo mundo consegue se relacionar, né?! Quem nunca sofreu por um não correspondido que atire a primeira pedra (risos). Dessa vez, porém, eu não estou na emoção do momento, como estava em “Sinto Muito”. Em “Te Amo Lá Fora”, há uma distância entre mim e esse coração partido. Isso faz tudo entrar em perspectiva. Nesse álbum trago outras nuances, exploro outros sentimentos: estou mais rancorosa, mais dark, mas também mais em paz, superando o coração partido e dando a volta por cima. Tem até música de amor correspondido, a “Decisão de Te Amar”, que eu fiz justamente para o Tomás. Então, apesar de o tema ser o mesmo, a maneira como eu trato dele é completamente diferente.

Clipe “Nem Um Pouquinho” Crédito: Fernando Tomaz

JDR1 – Você lançou o clipe de “Nem Um Pouquinho” nesta quarta-feira e já dá para ver que é mais um clipe incrível. Em “Meu Pisêro”, já tínhamos nos deparamos com uma incrível direção de arte e um novo conceito. Como você acha que a capa do disco e os visuais dos vídeos refletem nas composições do álbum?

Duda Beat – Para mim, o visual é muito importante. Quando penso em contar a história das minhas músicas, já gosto de imaginar o que poderia trazer naquele clipe. Acho que a internet ressaltou ainda mais esse apelo visual das coisas. Por exemplo, estamos ali no Instagram consumindo imagens, vídeos… Marcelo Jarosz, que é meu diretor de arte, traz muitas ideias e também é muito aberto a ouvir e trocar. Isso para mim é muito importante. Eu sou uma pessoa que acredito 100% no trabalho colaborativo. Em “Meu Pisêro”, ele e a Cris Streciwik, que dirigiu o clipe, pensaram naquelas referências de cinema noir e cinema de terror, que eu achei que tinha tudo a ver com a proposta da música. Dessa vez, em “Nem Um Pouquinho”, eu e a dupla Alaska estávamos trocando desde agosto do ano passado sobre ele. A ideia é que o vídeo saísse junto com o álbum, mas com o agravamento da pandemia, tivemos que adiar. Dessa vez, continuamos com uma pegada darkzinha, só que mais futurista, a história se passa em um universo alternativo e os habitantes deles têm poderes. O da minha personagem é se transformar em várias outras pessoas, e ela faz isso para ficar com a pessoa que ela ama. Mas calma que no final o jogo vira drasticamente (risos). Não é uma história só sobre sofrer por amor, é também sobre dar a volta por cima e, em um certo ponto, entender que você precisa se amar primeiro. Acho que o final do clipe mostra muito isso.

Crédito: Fernando Tomaz

JDR1 – Muitas mulheres artistas comentam sobre o processo de precisar se reinventar mais que os homens para se manter na indústria. É visível que no novo álbum você mostrou uma estética diferente do primeiro, você acredita que seu processo de reinvenção foi natural ou uma pressão da indústria?

Duda Beat – Meu processo foi natural e muito meu. A roupagem de “Sinto Muito” já não cabe nessa era “Te Amo Lá Fora”. Então, foi natural para mim e para meu stylist, Leandro Porto, trazer uma outra estética para esse momento, falando da parte visual. Na parte das letras também foi muito natural por aquilo que falei lá em cima: houve um amadurecimento entre um álbum e outro e isso faz com a maneira de falar sobre o assunto seja diferente. Além de tudo isso, ainda tivemos uma pandemia no meio. Eu não falo sobre ela nas letras, mas é inegável que a pandemia atravessa meu trabalho. Esse mergulho muito profundo em mim, esse confronto tão cru comigo e com meus demônios, com o que me assombra, está em “Te Amo Lá Fora”. E acredito que este foi um efeito da pandemia. Se fosse um álbum produzido em outra circunstância, acredito que ele seria de outra maneira. Mas isso sobre as mulheres no mundo da música é um ponto muito importante. Como em outros campo da vida, vejo que as mulheres são mais cobradas para sempre inovarem e trazerem coisas diferentes, mas ao mesmo tempo parecem que não torcem ou não nos dão apoio para continuarmos e seguirmos em frente. Sem contar que ainda querem jogar uma artista contra a outra, em pleno 2021. Acho isso um absurdo. Há espaço para todo mundo brilhar, para todo mundo fazer música e digo mais para colaborar também. Em um ambiente de apoio e respeito, todo mundo cresce e a música e os fãs saem ganhando porque podemos ver mais mulheres compondo e cantando, tendo cada vez mais espaço e liberdade.

JDR1 – Por conta da pandemia, como foi trabalhar com Trevo, Cila do Coco, Lux Ferreira e Tomás Tróia a distância? Como ocorreu essa troca?

Duda Beat – Foi diferente. Com Lux e Troia foi o mais próximo do normal porque trabalhamos sempre juntos, moramos na mesma cidade. Por exemplo, eles estavam comigo na imersão em que eu estava para fazer o segundo disco quando a pandemia foi anunciada, em março de 2020. Com Dona Cila, entramos em contato com a empresária dela, falei do meu desejo de tê-la no álbum e ela adorou a ideia. Foi muito especial. Usamos dois samples dela em “Tu e Eu”. Depois, quando estava em Recife, fui conhecê-la pessoalmente respeitando todos os protocolos. Foi massa demais, muito especial. Ela é uma referência muito grande para mim. E com Trevo, nós entramos em estúdio para gravar, respeitando todos os protocolos também. Antes desse momento, nosso contato tinha sido todo virtual. Agora, gravamos o clipe de “Nem Um Pouquinho”, mas também em um set com equipe reduzida, respeitando os protocolos. Foi muito especial ter todas essas pessoas ao meu lado nesse trabalho.

JDR1 – Seu trabalho artístico tem conquistado cada vez mais fãs e admiradores não só da sua música mas, também da pessoa que você é. Como artista, imagino que você deve estar sentindo falta do palco. Qual música você está mais animada para cantar ao vivo? Podemos esperar participações especiais caso ocorra uma tour?

Duda Beat – Ah, muito obrigada! Que feliz de ler isso. Eu busco me comunicar de uma maneira muito aberta e verdadeira com meus fãs. Uso mesmo minhas redes como um espaço de diálogo com as pessoas que me seguem. E o show é o momento maior de comunhão para mim com o público, é uma troca inexplicável. Eu estou morrendo de saudade do palco. Eu sou uma artista de show, de palco, então, não tem como ser diferente. Está sendo muito diferente para mim por exemplo lançar um disco sem poder apresentar ele em um show. Mas tudo bem, o momento requer cuidados e quando estivermos todos vacinados, poderemos cantar juntos e estaremos todos em segurança. Estamos aproveitando esse momento para já pensar no show que vem aí com o disco novo. Não tem como escolher uma música só. Quero muito cantar todas. Acho que vai ser massa demais. Ainda vou manter no repertório algumas músicas de “Sinto Muito” também. Então, podem aguardar que teremos um show lindo para quando tudo isso passar.

O disco “Te Amo Lá Fora” está disponível em todas as plataformas digitais e seu mais novo clipe “Nem Um Pouquinho” pode ser assistido no YouTube pelo canal da cantora. 

 

 

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