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Caster do Rainbow Six Siege, “Retalha” fala da carreira de comentarista e da função de contextualizar público

Otávio “Retalha” Rodrigues Ceschi, Caster do Rainbow Six Siege no Brasil pela Ubisoft. (Foto: Ubisoft)
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Por Jonathan Oliveira

Por trás da energia dos esportes eletrônicos, há os que trazem emoção: os narradores. Mas, assim como Batman, eles têm também o seu Robin: os comentaristas, responsáveis por introduzir quem está assistindo e ouvindo a narração no contexto do jogo, para entender acontecimentos espontâneos ou calculados no game. Para saber mais um pouco sobre os comentaristas, trouxemos nesta edição o Otávio “Retalha” Rodrigues Ceschi, Caster do Rainbow Six Siege no Brasil pela Ubisoft.

Ele nasceu em São Paulo, tem 29 anos, fez curso técnico em radialismo e é formado em Jornalismo. Começou a vida gamer desde pequeno. Seu primeiro console foi um Super Nintendo, e jogava bastante Donkey Kong e Mario. Na adolescência, frequentava muito lan houses, que eram fenômeno, e deixava até de ir em compromissos como aula e terapia para jogar. Jogava bastante CS, que devia ser a versão 1.4 na época. Retalha também pratica esporte, intercalando o game com as atividades do bom e velho esporte tradicional.

Preparamos algumas perguntas para conhecermos o Otávio melhor.

Foto: Ubisoft

Jornal DR1 – Você foi um dos pioneiros para a narração e o entretenimento do Rainbow Six no Brasil desde o beta do jogo. Conte um pouco sobre essa trajetória e como chegou na Ubisoft?

Otávio – Jamais achei que estaria por aqui hoje. Meu começo foi ao lado do Meligeni, ainda no BF4. Eu tinha “largado” a vida de competidor (naquela época, não tinha nem salário) para fazer lives, porque me rendiam 100 dólares no mês. Em sequência, o Meli me chamou para virar comentarista com ele. Vi como uma oportunidade para uma área que eu já queria e buscava durante a faculdade, apresentar algo, trabalhar com comunicação. Detalhe: era totalmente “0800”. O Meli recebia dinheiro só do AD da Twitch. Depois de um ano, vimos que o BF competitivo não ia ter continuidade. e ouvimos falar de um tal de Rainbow Six, que seria lançado pela Ubi, e que a Ubi queria fazer competitivo. Nisso, ele e o Gabriel “winners” começaram a elaborar um projeto de campeonatos para a Ubi BR. A Ubi recebeu esse projeto, e nosso atual chefe nos chamou para uma reunião na BGS 2015 para explicar que eles tinham vontade de fazer o competitivo acontecer.

Jornal DR1 – Como um bom gamer, todo mundo tem seu apelido. Nos conte, de onde veio o “Retalha”?

Otávio – O primeiro nick era Retalhador. Usei até os tempos de BF e surgiu como indicação de um amigo, quando eu tinha 12 anos. Basicamente foi o seguinte:

– Oh, mano, qual nick que eu uso na LAN?? Não tenho ideia.

– Ah, bota Retalhador!

Depois quando comecei a fazer as lives, em 2014, resolvi deixar menos pesado. E, como só me chamavam de Retalha nos times pelos quais eu tinha passado, deixei só Retalha, e ficou.

Jornal DR1 – A narração é o principal elemento para levar ao público o que está acontecendo. E na função de comentarista, como é trabalhar no Rainbow Six Siege no Brasil?

Otávio – Meu trabalho, junto com o Meli, sempre foi de duas polaridades: ele sempre foi a emoção e eu sempre foquei na razão. No último ano, venho mudando isso do meu lado, principalmente quando temos algum time brasileiro contra outro time de fora. Poder fazer parte desse cenário desde o começo é sensacional. Tem muito carinho envolvido. Sinto bastante sempre que algum jogador veterano se aposenta e, ao mesmo tempo, é muito bom ver garotos que tinham 15 anos quando começaram a acompanhar o R6 e hoje conseguiram chegar no Tier 1 do competitivo. Às vezes, me sinto até um velho assim (risos).

Foto: Ubisoft

Jornal DR1 – Quais suas maiores motivações, tanto no cenário tradicional quanto no eletrônico, e a sua principal inspiração?

Otávio – Nunca fui de ter ídolos ou me espelhar em pessoas. Sempre tentei ser eu mesmo. Como profissional, meu pai sempre foi um exemplo. Gosto muito de escutar o Everaldo Marques narrando, Milton Leite. Em questão de motivação, é o pensamento de que eu posso sempre ser melhor do que ontem. Ou seja, todo dia é dia para aprendermos algo.

Jornal DR1 – Ubisoft é uma grande empresa de jogos, com títulos famosos no mundo dos gamers. Como é trabalhar nela?

Otávio – Nós prestamos serviço para eles, mas, para a comunidade, a gente representa a imagem da Ubi. Tanto que procuram a gente como suporte às vezes (risos). Quando olho pra trás, vejo que são 5 anos assumindo essa linha de frente e, ao mesmo tempo, não parece que passou todo esse tempo.

Jornal DR1 – Retalha e Meligeni são os casters pioneiros que estão ativos até hoje. Conte, olhando o cenário do Brasil de quando você começou até esse momento, vendo que o cenário está dominando de uma forma bem positiva e satisfatória, o que você está achando e qual sensação está sentindo?

Otávio – Desde o começo, eu sabia do potencial que nós brasileiros tínhamos, como comunidade e com skill dos jogadores. Não era atoa que em 2016 botávamos 2 mil pessoas nos eventos presenciais. Esses dois últimos anos eram para ter sido gigantes, mas a pandemia atrapalhou. O que importa é que a gente continua com a cabeça levantada e, mesmo com essas limitações, damos o melhor de nós para o público ter um show no final. Esse é nosso trabalho e a gente ama o que faz.

Foto: Ubisoft
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