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Geração de EPIs na pandemia

Foto: Reprodução
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À medida que os bloqueios entraram em vigor para desacelerar a disseminação da Covid-19, um equipamento específico começou a ganhar importância mundial: as máscaras faciais. Durante a pandemia este equipamento de proteção aumentou a poluição por plástico.

Em resposta à alta demanda de EPI entre as pessoas, profissionais da saúde e trabalhadores de serviços, a produção destas máscaras de uso único na China aumentou para 116 milhões por dia, cerca de 12 vezes a quantidade usual de fabricação. A Organização Mundial da Saúde chegou a solicitar um aumento global de 40% na produção de EPIs descartáveis.

A pergunta é: como será o mundo após a pandemia? Se a população global tornar padrão o uso diária de apenas uma máscara facial descartável, teremos um consumo de 129 bilhões de máscaras e, consequentemente, o seu descarte sem mencionar os 65 bilhões de pares de luvas descartáveis.

O mercado global de plásticos descartáveis em resposta à pandemia projeta um crescimento de 5,5% para este ano, o que equivale a mais de um bilhão de dólares.

A crise global de saúde que vivenciamos coloca pressão extra sobre as práticas regulares de gestão de resíduos, em particular das máscaras faciais, que passaram a fazer parte do descarte no nosso lixo doméstico. A verdade é que o Poder Público Municipal, responsável pela gestão do nosso lixo doméstico não está preparado para esta gestão ambientalmente adequada, fazendo com que milhares de máscaras sigam para os aterros e/ou lixões sem o devido tratamento.  O descarte inadequado de apenas 1% das máscaras representa mais de 10 milhões de máscaras faciais sem o devido tratamento chegando ao meio ambiente. Imagens de máscaras nas praias e oceanos agravando o problema dos microplásticos e da vida marinha tornaram-se rotineiros.

Precisamos cobrar do Poder Público uma estratégia de gestão adequada para um resíduo potencialmente danoso não só para o meio ambiente, mas também para a nossa saúde e que se tornou onipresente.

Rafael Zarvos
Advogado e fundador da Oceano Resíduos, especialista em ESG.
rafael@oceanoresiduos.com.br
@rafaelzarvos

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