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Atriz carioca comemora protagonismo da mulher negra em campanha do GNT

Foto : Divulgação
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Bruna Montenegro fala de representatividade e empoderamento no projeto “Isso é coisa de Preta”

Aos 30 anos, a atriz, afrobailarina e pedagoga, Bruna Montenegro, moradora do bairro da Gamboa, Zona Portuária do Rio, celebra sua primeira participação em programa de TV com projeto que exalta pluralidade e diversidade entre as mulheres negras.
Com foco na questão racial, a campanha foi lançada nesta quarta-feira (27/10) por Gaby Amarantos no programa “Saia Justa” e contou com a participação de Silvio Almeida. As peças serão veiculadas na TV e redes sociais em comemoração ao mês da Consciência Negra. O objetivo da ação é inverter perspectivas e demonstrar que as mulheres negras têm orgulho de ser quem são, do cabelo, do corpo, das próprias referências e da importância que elas têm no país.

Na carreira artística, desde os 8 anos de idade, Bruna tem consciência racial , valoriza a ancestralidade e acredita que sua escolha para o projeto se deu por ser uma mulher completamente fora dos padrões impostos pela sociedade, por ser um corpo preto em movimento, mesmo carregando marcas do racismo:

Apesar de todas essas marcas, eu não desisto e estou sempre procurando ocupar os espaços. Acredito também que minha participação tenha sido por trazer a questão de ser um corpo preto e gordo que dança. E de evidenciar a representatividade para outras mulheres pretas e gordas que muitas vezes desistem dos seus sonhos porque acham que não vão conseguir por conta dos estereótipos   impostos pela sociedade. Eu já pensei como essas irmãs pretas, mas entendi o quanto eu preciso estar e ocupar todos os espaços para que as próximas gerações os ocupem também.

Ainda segundo Bruna, dançar a ancestralidade e ser uma mulher preta real contribuiu muito para sua participação na ação que promove a representatividade, identidade e empoderamento da mulher preta:

Sabemos o quanto é importante para nós artistas pretos ocupar estes espaços no Audiovisual. Nós artistas pretos já estamos ocupando, mas ainda falta um grande caminho a ser percorrido. Foi emocionante participar desta Campanha no Gnt, ser maquiada por uma mulher preta, ser dirigida por uma mulher preta, ter figurinistas pretas que entendem o seu corpo e o respeitam, o cuidado de uma mulher preta mexendo no meu cabelo. Foi incrível, e enriquecedora todas as etapas do processo – afirma.

Bruna relata que o manifesto trouxe diversos gatilhos, relacionados a sua infância:

Cresci ouvindo que eu não conseguiria ir muito longe por ter cabelo crespo e traços negroides. Diziam que eu era feia, gorda e que não conseguiria namorar, nem ter uma carreira profissional. Por isso, chegar onde cheguei, é muito significativo e muito emocionante. Eu tenho orgulho da minha negritude, da minha trajetória, valorizo minha ancestralidade. Sou feliz com o meu corpo e com a minha história.

A atriz acredita que todos os artistas pretos, professores, filósofos, médicos pretos, devem ser lembrados não só no mês da Consciência Negra, mas sim durante todo ano.

Estamos aqui durante todo ano, correndo atrás de trabalhos, enviando material , se virando nos trinta para fazer o tão exigido self tape, estudando, se dedicando…mas parece que só nos enxergam ou nos dão mais visibilidade em novembro – conclui.

Além da campanha “Isso é coisa de preta”, a atriz também é produtora do grupo de teatro Periferia Cena Portuaria , dirige e produz o Afoxé Filhas de Gandhy RJ. Bruna pretende se dedicar mais ao audiovisual e já tem projetos com o roteirista Max Mendes.

Sobre Bruna Montenegro

Bruna iniciou a carreira aos 8 anos de idade nas Oficinas de criação de Espetáculos, que tinha como idealizadores Ernesto Piccolo e Rogério Blat. Integrou o elenco de diversos espetáculos, dentre eles “Ai lóvi Rio” e “Criança eu quero ser quando crescer,” de Ernesto Piccolo e Rogério Blat; o sucesso “Favela” e “Chapéu vermelho”, dirigidos por Márcio Vieira; além do espetáculo de rua Histórias Afro-brasileiras, na Periferia Cena Portuária. No cinema, fez o documentário “À Queima Roupa, de Thereza Jessouroun; e Webséries pelo Canal Arteculados, sob a direção de Gilbert Magalhães. Foi modelo fotográfica pela exposição Olhar dela, pelo Coletivo Mulheres sem legenda; e produtora executiva da exposição Kandombelés.

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