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Beatmaker Andrews Assunção fala da atividade indispensável para riqueza sonora do Hip Hop

Fotos: Jonathan Oliveira
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No âmbito de criação e produção musical dentro do Hip Hop, ritmo nascido nos bairros periféricos dos Estados Unidos, surge a figura do beatmaker, que é o profissional responsável pela fabricação da parte instrumental da música. A profissão não é novidade, mas com o avanço do acesso às tecnologias foi possível dinamizar e difundir essa atividade.

Nascido e criado na Baixada Fluminense, mais precisamente em Comendador Soares, no município de Nova Iguaçu, o jovem Andrews Lucas Assunção, de 19 anos, ou apenas Dr3w, é uma das pessoas hoje que criam batidas numa função tão indispensável para a riqueza sonora do rap.

Seu primeiro contato com a música foi bem cedo, logo aos 10 anos de idade quando começou a aprender a tocar violão. Em 2017, começou a se aventurar pelo mundo dos beats e foi aprendendo todas as técnicas por conta própria. Não parou mais!

Entre os trabalhos já feitos que considera os mais importantes estão “Rei Lacoste”, do MD Chefe com o Domlaike, “Segundo Andar”, do Kiaz com colaboração do BK’, “Toda Minha”, do Pryce com o NVN, e “Kylie Jenner”, do Thoney e o Rare G.

Foto: Jonathan Oliveira

Dr3w deu uma entrevista ao Jornal DR1 e falou sobre o seu trabalho como beatmaker, detalhou o processo de criação dos beats (batidas), falou sobre as suas referências na música e também como como vê a cena e do Hip Hop atualmente. Ele ainda deu conselhos para quem quer seguir na mesma profissão. Confira:

Jornal DR1 – Como começou a fazer beats? O que te motivou?

Dr3w – Eu comecei a fazer beats no final de 2017, baixei o FL Studio 11 em um notebook que meu pai tinha e fui aprendendo tudo por conta própria. Acho que o fato de eu sempre prestar bastante atenção nas batidas e melodias das músicas contribuiu muito para me interessar em ver como funcionava a criação dos instrumentais (principalmente de trap) e tentar fazer algo parecido com as referências musicais que eu tinha na época. Mas esse não foi o meu primeiro contato com a música. Com 10 anos, eu comecei a tentar aprender a tocar violão e isso me ajuda até hoje na criação dos beats.

Jornal DR1 – Quais softwares ou equipamentos você usa e quais os tipos de beats?

Dr3w – Eu comecei usando só um notebook e um headphone, e esse foi meu equipamento por um bom tempo. Hoje, eu faço alguns trabalhos em um estúdio que tem um computador, controladora midi, headphone, monitores de áudio, microfone e alguns outros equipamentos. Os tipos de beats que costumo produzir são: Trap, Plug,UK Drill, Slime e Club, são os tipos de beats que mais consumo também.

Jornal DR1 – Quais suas maiores referências na música?

Dr3w – Como produtor, me inspiro muito no Metroboomin, Wheezy, Mike Dean, Pi’erre Bourne, Murda Beatz, London on the Track, 808 Melo, no duo Take a Day Trip e na WondaGurl. A grande maioria são nomes que ganharam notoriedade na época em que comecei a acompanhar com mais gosto a cena americana e que me fizeram criar maior interesse pelo Trap.

Jornal DR1 – Como está sendo o trabalho na pandemia?

Dr3w – Comecei a fazer muitas colaborações com outros produtores, recebi vários loops (melodias) de outros beatmakers e enviei loops também. Agora que a maioria das pessoas com quem costumava a trabalhar de perto também se vacinaram as sessões tem voltado ao “normal”, tomando todos os cuidados devidos, logicamente.

Foto: Jonathan Oliveira

Jornal DR1 – Como vê a cena do Rap e do Hip Hop atualmente?

Dr3w – Fico muito feliz pelo crescimento da cena do Rap, muito gratificante ver a proporção que artistas do gênero estão ganhando, o aumento da auto estima que isso está trazendo pro povo preto. Mas como nem tudo são flores, certas coisas têm que melhorar bastante, como o “boicote” de mulheres e da comunidade LGBTQIA+ dentro do Rap e a marginalização do gênero por grande parte da mídia.

Jornal DR1 – Quais conselhos daria para quem quer seguir na mesma profissão?

Dr3w – Ter bons equipamentos é importante, mas não adianta ter a melhor chuteira se você não sabe jogar bola. Então, a qualidade do seu trabalho depende do seu empenho, estudo e criatividade. E algo muito importante que serve para qualquer trabalho: você deve conhecer todos os seus direitos e exigir eles. Saiba o seu valor e estude o estilo de som que deseja fazer, ouça todo tipo de música para poder ter o máximo de referências possíveis e ideias novas.

Jornal DR1 – Quais são os próximos planos para a sua carreira?

Dr3w – Pretendo conseguir trabalhar com artistas da cena que gosto e acompanho, fazer o máximo de trampos possíveis e pretendo voltar a lançar músicas cantando. Quem me conhece há algum tempo sabe que eu fazia algumas músicas, mas sem tanta pretensão. Então, tirei a maioria delas da internet. Agora, pretendo lançar minhas músicas com mais “seriedade” e profissionalismo, se é que posso dizer assim.

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