Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. ©2019 Diário do Rio.

Direitos de cidadania e humanidade

Foto: Divulgação
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on email
Share on telegram

Por Mônica Freitas

A eleição de Barack Obama, como primeiro presidente negro dos EUA, foi um marco na história. Mas poucos sabem que, antes de Barack Obama, houve um negro, libertário, orador, sufragista e conselheiro do presidente Abraham Lincoln, que concorreu a vice-presidência dos Estados Unidos. Frederick Douglass (1817) nasceu escravo e, `as custas de grande esforço pessoal, se educou e escreveu o livro A Narrativa da Vida de Frederick Douglass, um Escravo Americano, marco da literatura americana de cunho abolicionista.
No livro, numa linguagem bastante próxima `a oralidade, Frederick Douglass relata sua vida de escravo sem poupar detalhes das crueldades sofridas, de seus algozes, das dificuldades para letrar-se e de sua fuga do cativeiro. A questão da raça e da cor, em relação ao racismo, fica bastante patente, na tradução portuguesa, quanto a escolha de palavras para ‘nigger’ e ‘colored’, por exemplo. Muito se tem discutido sobre a aversão de uso de palavras politicamente incorretas como ‘preto’, ‘crioulo’, ou o eufemismo ‘de cor’. No entanto, a questão que escapa à discussão do racismo, ainda presente na sociedade, consiste na insistência de um racismo velado e sutil, o qual subsiste mesmo quando outras palavras são inseridas no vocabulário para substituir `aquelas de cunho pejorativo. Por que cobrimos a ferida com novos curativos ao invés de curá-la de vez? Alguns podem argumentar que tal processo requer tempo. Mas, se consideramos o fato de que vivemos numa cultura tão prodiga em desenvolver conceitos e discussões sobre justiça, igualdade, liberdade, cidadania, entre outras noções do gênero, nos cabe perguntar que tipo de entendimento ainda nos falta.
Tais questionamentos talvez nos convide a habitar um fórum mais íntimo de reflexão: a ideia de que ainda temos muito que nos educar não somente em termos de desenvolvimento intelectual, mas sobretudo nas bases de um aprimoramento da sensibilidade para valores mais humanos. E sobre isso, Frederick Douglass, sem dúvida, nos dá uma bela lição.

pt Português
X
Open chat