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Opinião: O Brasil que não pertence aos brasileiros

Foto: Pixabay
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Por Carlos Augusto Aguiar

Vivemos num País que não vive em nós. Qual é o meu País. O meu País é aquele que possui 50 milhões vivendo abaixo da linha da miséria. É onde se apresenta 15 milhões de desempregados e que 70% de sua população sobrevive com um salário mínimo no valor de R$ 1100,00, onde o quilo do arroz custa R$ 8,00 e o litro da gasolina R$ 7,00. Onde os barracos de madeira e teto de zinco e amianto acolhe e protege uma família; onde o transportes urbano transita com dobro de sua capacidade e o preço da condução obriga o trabalhador a andar a pé ou dar calote no pagamento da passagem; onde a família sem proteção convive com a violência produzida pelas guerras urbanas do crime organizado ou desorganizado.

Onde a polícia é marginalizada pela imprensa e pela sociedade que não vive no meu País. Onde se matam três crianças por suspeitarem de ter furtado uma gaiola de passarinho;  onde se matam ou mutilam as mulheres em nome da paixão e do ciúme; onde se confinam na cadeia inocentes e pagam apenas os que furtam alimentos para seus filhos; onde as leis oferece liberdade e os juízes numa inversão de valores a prisão; onde se morre na porta dos hospitais por falta de assistência médica hospitalar; onde aqueles que não possuem barracos com teto de zinco e amianto se protegem nas marquises das grandes construções; onde encontramos cidadãos que não existem por não possuírem certidão de nascimento. Há, esse é o meu País. Não deveria ser assim. 

E O OUTRO, COMO É…

Bem o outro possui uma Corte Suprema com 11 brasileiros que cada um sobrevive com salário mínimo de 30 mil reais e consome 700 milhões por anos dos cofres públicos; o outro Brasil possui uma Câmara com 513 deputados, cada um com salários de 39 mil reais e ganhos que ultrapassam 100 mil reais por mês em uma estrutura que consome  dos cofres públicos 10 bilhões ao ano, o maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos; um Senado Federal com 80 senadores e cerca de 9 mil funcionários consumindo 4 bilhões por ano, onde um senador ganha por mês cerca de 34 mil reais; um País onde 10% da população vive em mansões desfrutando das melhores refeições, não sentem frio, não sentem calor, não passam fome e não são presos por roubarem os cofres públicos.

Quando são detidos, possuem os melhores defensores advogados e 11 ministros da Suprema Corte para os manterem em liberdade e continuarem a se locupletar dos cofres públicos. Um País em que aqueles que são nomeados para defender a Constituição são os primeiros a violá-la; Um País que possui um Poder Supremo que não deveria, mas atua politicamente cometendo barbaridades no uso da força judicial. Um País em que os corruptos encastelados possuem passe livre para agir se locupletando e criando leis para se salvaguardar. Um País onde os procuradores do Ministério Público são marginalizados pelo Congresso Nacional e pelo Supremo Tribunal Federal. Sim, esse é o outro Brasil, que é mantido por aqueles que sobrevivem com 1.100 reais por mês.

Precisamos urgentemente transformar esse País para que todos os brasileiros tenham os mesmos direitos, pois democracia antes de tudo é preservar a dignidade humana, com trabalho, saúde, educação e moradia digna… 

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