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Dia da Consciência Negra: Clementina de Jesus dona de uma voz inconfundível e símbolo de herança africana

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Clementina de Jesus, foi um fenômeno do samba. Dona de uma voz pontente, a cantora carregava nas músicas toda a sua ancestralidade africana.

Nascida na cidade de Valença no Rio de Janeiro, no Vale do Paraíba, tradicional reduto de jongueiros, Clementina era filha da parteira Amélia de Jesus dos Santos e de Paulo Batista dos Santos, capoeira e violeiro da região.

Aos sete anos, se mudou com a família para a cidade do Rio de Janeiro, bairro de Oswaldo Cruz, onde mais tarde surgiu tradicional Escola de Samba Portela.

A cantora casou com Albino Pé Grande e foi morar no Morro da Mangueira. Ao longo dos anos, Clementina trabalhou como lavadeira e empregada doméstica.

A carreira profissional de Clementina de Jesus iniciou aos 63 anos, depois que o produtor e compositor Herminio Bello de Carvalho a encontrou na festa da Penha em 1963, quando cantava na Taberna da Glória. O produtor ficou fascinado pela sambista e quando a reencontrou, na inauguração do restaurante Zicartola, iniciou a preparação para o espetáculo Rosa de Ouro. Participavam do show, a cantora Aracy Côrtes, diversos sambistas das Escolas de Samba cariocas, como Paulinho da Viola e Elton Medeiros.

Nos anos seguintes, Clementina participou dos discos Mudando de conversa, Fala Mangueira! e Gente da antiga, ao lado de João da Baiana e Pixinguinha.

No continente africano, participou do encontro das artes negras de Dakar em 1966, ao lado de Martinho da Vila e Rubem Valentin. Também no mesmo ano ela representou a música brasileira no festival de cinema de Cannes, na França.

Ainda em 1966, Clementina gravou seu primeiro disco solo, intitulado Clementina de Jesus, com repertório de jongo, curima, sambas e partido-alto.

Ao todo, Clementina de Jesusgravou 13 LPs, com destaque para o disco O Canto dos Escravos, composto de vissungos de escravos da região de Diamantina, recolhidos por Aires da Mata Machado. Clementina foi louvada como elo entre África e Brasil, tendo sido reverenciada por grandes nomes da música brasileira, como Elis Regina, João Nogueira, Clara Nunes, Caetano Veloso, Maria Bethânia e João Bosco.

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