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Reescrevendo o passado

Foto: Wikimedia Commons
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Por Mônica Freitas

Muito se tem discutido recentemente sobre as versões não oficiais da história, ou seja, aquelas em que, entre vencedores e vencidos, contam a história sob o ponto de vista dos vencidos. Tucídides (460-400a.C), historiador grego que escreveu sobre a Guerra do Peloponeso, inaugurou, com seu estilo conciso, direto e claro, a imparcialidade e o método científico nas narrativas históricas, seja por prezar pelas conexões causais entre os eventos, seja por buscar racionalmente o proposito das questões políticas. Sua contribuição relevante para o desenvolvimento da história, nos faz questionar, em vistas das discussões correntes, a razão de termos mais de uma versão histórica sobre um mesmo evento.

O mundo tecnológico e globalizado nos fornece acesso às informações sobre tudo que ocorre em tempo real. Mas o quanto de realidade reveste tais acontecimentos?

É fato que o que se escreve hoje será parte de nossa história amanhã. Também é fato que grandes líderes políticos desejam deixam sua marca na história. Mas a que preço?

Na China, o presidente Xi Jinping, à parte das discussões sobre o covid-19 e alterações climáticas no planeta, tem em sua agenda algo muito especial: uma grande reunião para reavaliar a história de seu partido, o qual está fazendo 100 anos. Sendo Xi Jinping um líder que tem conduzido a China a um grande avanço com reformas econômicas e sociais, reestruturação militar e modernização do país com a internet, sua imagem deve ficar para a história da forma mais favorável possível. Deixemos, desse modo, fora dos registros históricos, o autoritarismo e a opressão, a censura política, as denúncias de condutas antiéticas com relação aos trabalhadores e ao comercio de animais vivos, entre outros. O que for escrito será imparcial e fidedigno aos acontecimentos?

Provavelmente, as futuras gerações da China crescerão lendo a história que foi escolhida para eles e não por eles. É lastimável que nações devam crescer às custas de alienar seus cidadãos da cadeia causal dos eventos históricos para reescrevê-los com mitos. E assim, retornamos a um tempo anterior a Tucídides…

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