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Leandro Apolinário: “Quando a gente se prontifica a defender determinada categoria a gente tem que entender profundamente a sistemática do funcionamento dela”

Leandro Apolinário é de uma família de advogados (Foto: Arquivo Pessoal)
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A entrevista desta semana é com o advogado Leandro Apolinário, que trabalha em diversas ações envolvendo jornalistas, inclusive participou do processo com o Jornal do Brasil. Leandro contou para a gente como é estar envolvido com tantos casos como esse. Confira como foi o bate-papo exclusivo com o Jornal DR1.

JDR1 – Conta como foi a experiência no ramo?
LA – A Regina Zappa que abriu as portas do meu escritório para os seus colegas que também haviam sido dispensados. No meio do jornalismo há uma expressão chamada “passáralho” quando há uma demissão em massa na redação. Vale ressaltar que o jornalista é formador de opinião é graças ao trabalho honesto e dedicado praticado, tive grande aceitação na classe.

JDR1 – Trabalhar com tantos jornalistas, te despertou o interesse no meio?
LA – Claro. Quando a gente se prontifica a defender determinada categoria a gente tem que entender profundamente a sistemática do funcionamento daquela categoria. O que sempre me chamou muita atenção no ramo do jornalismo é o número de horas trabalhadas por dia. Isso se justifica facilmente pois a notícia não tem hora nem lugar para acontecer.

JDR1 – Quais são os grandes projetos de trabalho?
LA – A reforma trabalhista de 2017, no meu entendimento foi um grande retrocesso nas relações de trabalho. É claro que tinha que haver uma reforma pois a CLT é de 1943, entretanto, a “dose foi exagerada” Muitas garantias da classe operária foram expurgadas, sendo criados vários obstáculos ao acesso à justiça e até mesmo na execução das ações já transitadas em julgado.

JDR1 – Como foi o caso do Jornal do Brasil?
LA – O JB sempre teve a fama de mau pagador. Os processos em face do JB quando chegavam na fase de execução não se conseguia receber pois não havia recursos ou patrimônio para adimpli-los. Através de diligências e pesquisas eu descobri um crédito milionário que uma das empresas (Indústrias Verolme) do Sr. Nelson Tanure tinha a receber da Petrobras e que já se encontrava depositado perante a 32 Vara Cível do Rio de Janeiro. A partir daí requerer a inclusão das Indústrias Verolme como devedora solidária nos processos sob seu patrocínio, com pedido de liminar para expedição de penhora sobre aquele valor que se encontrava depositado na 32ª Vara Cível. Isso ocorreu em centenas de processos com as mais diversas decisões.

JDR1 – Como seguiu o caso?
LA – Enfim, após as penhoras realizadas veio a grande dificuldade. Trazer o dinheiro para a Justiça do Trabalho. A grande dificuldade não foi só apenas por se tratarem de centenas de processos e milhares de reais. A grande dificuldade se instalou pois havia uma penhora de centenas de milhões de reais anterior às penhoras dos meus clientes. É cediço que o crédito trabalhista prefere aos demais credores, entretanto, esta regra teórica não é de simples aplicabilidade quando a disputa é contra um banco multinacional assistido pelo maior escritório de advocacia do país. Após dezenas de recursos, liminares, mandado de segurança, correcionais, cautelares, agravos e mais agravos, várias idas e vindas a Brasília, o dinheiro foi finalmente transferido para Justiça do Trabalho e, com isso além dos meus clientes dezenas de outros ex empregados do JB assistidos o outros advogado conseguiram receber o que lhes era devido.

JDR1 – O que você acha da classe jornalística no Rio de Janeiro?
LA – Como dito anteriormente, na minha opinião é a classe que mais trabalha relativamente aos jornalistas do RJ me parece uma classe bem unida, onde há um grande respeito recíproco.

JDR1 – Qual o caso que você mais se orgulha?
LA – Com certeza foi conseguir fazer com que TODOS os meus clientes do JB recebessem as indenizações reconhecidas pela Justiça do Trabalho.

JDR1 – Sempre teve o sonho de ser advogoda?
LA – Sinceramente não. Sempre fui melhor nas matérias exatas. Mas os caminhos da vida me levaram para o Direito.

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