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Opinião: Uma tragédia anunciada todos os anos

Foto: Montagem/Carlos Augusto (Carlão)
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Sai ano e entra ano a tragédia se repete no Estado do Rio de Janeiro. Todos nós sabemos que os meses de janeiro, fevereiro e março, são meses de muitas chuvas torrenciais, que atingem as encostas provocando deslizamento de terra e pedras atingindo casas em vilarejos construídos nas encostas. Não foi diferente o ocorrido na cidade de Petrópolis, o que, aliás, está se repetindo. As pessoas que vivem em áreas de risco são as primeiras a sofrerem os impactos sendo obrigados a deixarem suas casas.

Além de destruir grande parte da cidade, as chuvas provocam dezenas mortes e nessa catástrofe o número de óbitos já passa de 180 vidas e há dezenas desaparecidas. Centenas de pessoas desabrigadas (perderam suas casas e estão em abrigos públicos).

A Região sofre há anos

Em 1988, após dias ininterruptos de chuva, 134 pessoas morreram em deslizamentos de terra, desabamentos ou levadas pelas águas da enchente em Petrópolis. Já em 2011, as chuvas intensas deixaram 73 mortos em Petrópolis. Toda a Região Serrana foi fortemente afetada, somando 918 mortes e ao menos 100 desaparecidos nas cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis.

Os desastres que atingem as encostas das regiões serranas há décadas é de  conhecimento das autoridades e poderiam ser evitados se houvesse vontade política dos governantes das prefeituras, dos governos estaduais e federal.

Eles, governadores, prefeitos, vereadores, deputados só se reúnem após os fatos consumados, ou seja, após as catástrofes. Anunciam a formação de comissão para discutir medidas de prevenção, ou seja, é preciso vidas se perderem e o caos generalizado destruir famílias para tomarem alguma atitude que sempre acabam sem solução para por um fim nessas tragédias anunciadas.

Reações dos políticos no Congresso Nacional, na Câmara dos Deputados Estaduais e Vereanças é uma rotina quando ocorrem catástrofes de grande magnitude, parlamentares disputam espaço na mídia, nas redes sociais para apresentar propostas que não saem do papel, para evitariam tragédias futuras. Passada a comoção nacional com o episódio, os projetos acabam se acumulando nas gavetas. Exemplos não faltam: Mariana e Brumadinho (MG), incêndio na Boate Kiss (RS), pandemia da Covid.

Enquanto a população sofre com a pandemia, com o desemprego, com as enchentes que poderiam ter sido evitadas, nossos políticos estão preocupados em arrecadar 6 bilhões de reais para suas campanhas eleitorais. Despesa com o fundo eleitoral para as eleições de 2022 está previsto cerca de R$ 5,7 bilhões. As despesas com pessoal e encargos sociais no Legislativo (R$ 10,6 bilhões); no Judiciário (R$ 36,7 bilhões). Fonte: Agência Senado.

Definitivamente o povão não conta com os poderes constituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário).  Não apareceu nenhum político, governado ou prefeito em Petrópolis em solidariedade. Onde estão os ministros do Supremo Tribunal Federal, que ganham mais de 100 mil reais por mês e desfrutam de incontáveis regalias?

Todos só têm um objetivo, se perpetuarem no poder e gozar das regalias proporcionadas com os recursos públicos daqueles que mantém as máquinas públicas e perdem a vida nas enchentes e desastres naturais e outros provocados pela negligência daqueles que representam os poderes constituídos.

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