Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização. ©2019 Diário do Rio.

A tênue linha entre autocracia e liberalismo

Foto: Reprdução
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on email
Share on telegram

Todos sabemos, por definição, que autocracia designa um regime político de personalização do poder nas convicções e decisões do governante. O liberalismo, teoricamente, indo na contramão da autocracia, garante, em essência, a liberdade, os direitos e a igualdade individuais dos cidadãos, protegendo-os de qualquer abuso e opressão monocrática de poder. Mas o que acontece quando um grupo ou  uma classe social monopoliza a tomada de decisões e políticas públicas a seu favor?

O conflito entre a Rússia e a Ucrânia (lê-se aqui: entre Rússia-China e o a Europa ocidental-EUA- Japão) abriu novas percepções para entender a diferença entre Estados em regime político autocrático institucionalmente em vigor e Estados institucionalmente democráticos, mas sob princípios autocráticos. Em ambos os casos, o capitalismo, seja de estado ou de conglomerados corporativos, estabelece o sistema de produção motor da economia. Em ambos os casos, a expansão de mercado, seja a partir de orientações de um líder autoritário ou a partir de uma burguesia ou elite imperialista, constitui diretriz básica na geopolítica de influência de poder, gerenciamento e domínio de territórios. Em ambos os casos, as ações de estratégias políticas e práticas ideológicas têm o intuito de assegurar a hegemonia cultural de blocos econômicos por meio da globalização. Em nenhum dos casos, no entanto, há práticas verdadeiramente simétricas na relação política e economia, o que favorece interesses e disputas em governos empresariais. Desse modo, percebe-se não somente que a lógica do mercado é preponderante, em todos os casos, mas também que os efeitos de tais relações contribuem, entre outras coisas, para o aprofundamento das desigualdades e para a concentração da riqueza, criando países centrais e periféricos.

Isso dito, é forçoso concluir que a nova configuração na distribuição de forças favorece uma tomada de posição de confronto. Não por acaso, o fenômeno da polarização de partidos e o surgimento de políticas extremistas têm ocorrido com tantos países. Entender o processo e não o refletir como um espelho em nossas práticas políticas e sociais já ajuda a minimizar seus efeitos danosos. Assim espero.

pt Português
X
Open chat