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Lembrança de Lygia Fagundes Telles (1918 – 2022)

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O escritor Thiago de Menezes, da Federação das Academias de Letras do Brasil, homenageia a escritora com citações de suas lembranças pessoais da autora de ‘As Meninas’, ‘Ciranda de Pedra’ e ‘Antes do Baile Verde’, ainda afirmando a verdadeira idade da imortal da ABL e APL:

“Lygia teve uma vida regada a muita inspiração. E dizia, “existe uma palavra que saiu de moda e, no entanto, é insubstituível na terminologia da criação: a inspiração”. E acredito que essa mesma inspiração, fizeram dela, uma das mais importantes escritoras brasileiras. Assim como acredito que a sua inspiração acabou inspirando gerações de escritores, como marcou variadas gerações de leitores por décadas. Posso até dizer que fui um deles, pois o lado contista de Lygia é contagiante, a ponto de impulsionar a mente para deixar fluir a imaginação.
Pois bem, a verdade é que conheço, ou conheci Lygia, praticamente da vida toda. Desde a mais tenra infância, não só pelos livros que minha mãe, leitora voraz e bibliotecária, devorava, mas pela presença da mesma na cidade da minha infância, Araras (SP), onde ela passou boa parte de sua vida através dos laços que o casamento com Goffredo da Silva Telles Júnior, o grande jurista e professor de direito, impulsionariam entre a gente ararense com a qual ela conviveria anos seguidos.
Quando dona Carolina Penteado da Silva Telles fez 100 anos, eu, ainda menino e já militando no jornalismo, colaborando com os jornais Tribuna do Povo, de Araras, e Tribuna de Itapira, escrevi, nesse último, uma reportagem de página completa sobre o fato. Afinal, era a matriarca de uma das mais importantes famílias remanescentes dos tempos do baronato do café, cuja descendência teve origem em Fernão Dias Pais Leme. Dona Carolina era filha da famosa dona Olivia Guedes Penteado – verdadeira mecenas da arte brasileira e uma das impulsionadoras da Semana de Arte Moderna de 1922 – e proprietária da tradicional Fazenda Santo Antônio, em Araras. Propriedade rural essa, tão importante quanto foi a fazenda Empyreo, de Yolanda de Ataliba Nogueira Penteado, da mesma linhagem do pai de Carolina, Ignácio Penteado. Fora que Yolanda havia sido casada, em primeiras núpcias e antes de dourar o seu brasão com a epígrafe dos Matarazzo, com um Silva Telles. E foi através de dona Carolina, que Lygia se misturou à gente ararense, que havia se acostumado com a nata da intelectualidade artística que frequentava todas aquelas herdades.
A romancista e contista que recebeu os prêmios Jabuti, APCA e Camões, distinção maior em língua portuguesa pelo conjunto da obra, era, ainda, uma mulher de sociedade. Uma mulher do mundo. Do grande mundo e da velha São Paulo ‘quatrocentona’, como diria Tavares de Miranda, o colunista que foi imortal da Academia Paulista de Letras, a mesma entidade que engalanou suas portas para receber Lygia, que também seria recebida – glória maior – na Academia Brasileira de Letras, sendo a terceira mulher a ingressar naquele sodalício e ainda na Academia de Letras de Campos do Jordão e na Academia de Letras da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

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