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Maurina Pereira Carneiro: A Condessa que se fez jornalista (Parte 3)

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O casal de Condes Pereira Carneiro seriam, sem sombra de dúvidas, das mais destacadas figuras da vida pública brasileira de seus tempos. Ernesto Pereira Carneiro era nascido em Jaboatão, Pernambuco em 14 de abril de 1877. Estudou em Paris e Madri, fez parte do secundário no Brasil e concluiu os estudos no Saint George College, de Londres. Em 1895, em Recife, começou a trabalhar na firma do pai, Pereira Carneiro & Companhia, da qual foi diretor até 1914. Nesse período foi vice-presidente da Associação Comercial de Recife, fundou o Clube Náutico Capibaribe e introduziu vários esportes no estado. Mudou-se então para o Rio de Janeiro, onde adquiriu a Companhia de Comércio e Navegação, que dirigiria até 1935. Em 1918 tornou-se proprietário do “Jornal do Brasil”, que já tinha longa trajetória e tradição na cidade. Poucos sabem, mas em sua história, o “Jornal do Brasil” foi o primeiro jornal brasileiro a ter uma seção de cinema, isto em 1894 e ela se chamou ‘Kinetoscópio’, depois ‘Bolinando’ e a razão da mudança era exatamente a que o vocábulo exprimia: os espetáculos mais interessantes não aconteciam na tela, mas na plateia, e desde aquela época a lei maior do jornal era não brigar com a notícias, apenas noticia-la. Pereira Carneiro recebeu em 1919 o título de Conde papal, dado pela Santa Sé.

Depois de casados, os Condes Pereira Carneiro, ambos já com casamentos anteriores ceifados por mortes, foram residir no famoso Palacete Santa Cruz, que era denominação oriunda das terras adquiridas, pelo Conde Ernesto, ao extinto Moinho Santa Cruz em Niterói, e que – rezava a lenda local – foi construído pelo Conde Pereira Carneiro, como um monumento de amor à primeira Condessa Pereira Carneiro, Beatriz de Araújo Pereira Carneiro. Situado na região de Toque-toque, uma toponímia curiosa para aquele trecho da Ponta da Areia, o Palacete Santa Cruz, ou Castelo do Conde Pereira Carneiro é uma das construções mais intrigantes de nosso acervo patrimonial. Lá, naquela construção excêntrica, a Condessa Maurina foi muito feliz e dizia romanticamente que vivia numa mescla de estilos revivalistas, tais como Tudor, Normando e Medieval, e que o palacete evocava a atmosfera romântica das primeiras décadas do século XX que anos depois trariam a construção da Vila Pereira Carneiro, urbanizada em um modelo Cidade-jardim, plena de chalés e cottages, na mesma Ponta da Areia.

O mais evocativo de tudo é que o pitoresco palacete do Moinho Santa Cruz ficava feericamente iluminado por ocasiões dos chás oferecidos pela Condessa Pereira Carneiro, principalmente nas ocasiões em que aniversariava seu ilustre esposo. Em 1920, a recepção foi maior, pois na comemoração daquele ano os empregados da firma Pereira Carneiro & Cia. Ltda ofereceram ao Conde Pereira Carneiro, um busto no dia do seu natalício. Naquele momento, o Conde foi saudado pelo sr. Leonardo Arcoverde, convidado da Condessa Pereira Carneiro para ser o interprete fiel dos seus companheiros de trabalho. A mesma, após a homenagem, apresentou inúmeras cartas, cartões e telegramas de cumprimentos, entre eles do então Presidente da República, Dr. Epitácio Pessoa. E para comemorar esse momento, o casal de Condes, junto a familiares, embarcou no ‘Corcovado’, um dos maiores navios da firma Pereira Carneiro & Cia. Ltda (Comércio e Navegação), com destino ao Recife. De lá, seguiram para a Europa no ‘Avon’ da Mala Real Ingleza onde o casal foi repousar um pouco das naturais fadigas das suas extraordinárias atividade como um dos maiores industriais brasileiros.

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