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Maurina Pereira Carneiro: A Condessa que se fez jornalista

Foto: Reprodução
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Pelos seus dotes de espírito e altos predicados de coração, a exma. e grande dama brasileira, sra. Condessa Pereira Carneiro, que foi bem um dos elementos mais expressivos da sociedade nacional, em cujo seio se acolhia, por isso mesmo, com considerações especiais a que sempre fez jus, a advogada, jornalista e acadêmica Ana Cristina Campelo de Lemos Santos, dedica-lhe essa sua participação, prestando uma significante, sincera e rara homenagem, e está certa de que o fazia a quem muito merecia, pois que a veneranda Condessa encarnaria todas as virtudes da verdadeira mulher brasileira, numa era de pioneiros, principalmente no campo da imprensa, como a reconheciam todos os que se honravam com o seu conhecimento. Afinal, o nome de Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro (1899-1983), mais conhecida em nossa história como a Condessa Pereira Carneiro, se perpetuou como sendo a única mulher no Brasil que dirigiu pessoalmente jornal e uma emissora (o veterano Jornal do Brasil e a Rádio JB)”. (Thiago de Menezes, da Federação das Academias de Letras do Brasil)

“Mulher é para cuidar dos guisados”, pensavam nossas avós e talvez mesmos nossas mães. A mulher-mãe, a mulher-cozinheira, a mulher-enfermeira, o ‘anjo do lar’ sem acesso à vida pública e à comunicação era o ideal dos homens do século retrasado e principio do passado. Entretanto, as mulheres cultivavam a mágoa que explodiu na Inglaterra, quando elas saíram às ruas exigindo igualdade social e direito de voto. Reprimido e ridicularizado à principio, o movimento das sufragistas acabou vitorioso, em 1918, com a concessão à mulher do direito de votar, e em 1919, com a lei que lhes permitiu assento na Câmara dos Comuns e aos cargos públicos de alto nível, inclusive de ministro. Ficava-lhes interdita a Câmara dos Lordes, mas, estava aberto o precedente histórico. Porém, naqueles anos, no Brasil, já era perceptível aos leitores dos periódicos da época, da presença da esposa do Conde Ernesto Pereira Carneiro em muitas ações sociais e gestos pioneiros que iriam alavancar as aspirações feministas de muitas. Em nosso país, o direito de voto seria alcançado pelas mulheres, primeiro no Rio Grande do Norte, em 1929. Em 1933, a conquista se generalizou, tornando-se vitoriosa a campanha pertinaz da icônica Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Sendo, em 1934, eleita a primeira deputada: Dra. Berta Lutz. Ao lado da Condessa Pereira, Berta, fará parte da documentação dos progressos históricos feitos, desde então, pela mulher, na invasão avassaladora de todos os postos de maior importância e responsabilidade em muitos setores, como no jornalismo. A vida a e atuação da Condessa Pereira Carneiro representa uma sucessão de vitórias merecidas, postas em relevo através do realce dado aos nomes mais representativos de mulheres notáveis em cada atividade.

Texto originalmente publicado na obra editorial “Mulheres Extraordinárias – O resgate histórico do legado, pela palavra escrira”, Vol.2, Editora Rede Sem Fronteiras, 2022.

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