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Bloqueio e fome em massa: estratégias para aniquilamento e limpeza étnica

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Há dezoito meses a Etiópia, sob o governo do primeiro-ministro Abiy Ahmed, se encontra em guerra civil, tendo as províncias de Tigray e Amhara como principais protagonistas do conflito. Sob acusações de promover limpeza étnica na região de Tigray, o governo impôs bloqueio na região, negando, no entanto, as perseguições, expulsões e atrocidades cometidas na região. O conflito entre as duas regiões remonta de décadas atrás quando TPLF (Tgrayan Liberation Front), um partido de milicia, teria supostamente perseguido e executado dissidentes de Amharas. A despeito da descoberta, pelos investigadores de Amharas, de covas coletivas, o esclarecimento sobre as mortes perde-se nos torvelinhos políticos de luta pelo poder e de violência mútua.

Diante das denúncias, a Anistia Internacional e a Comissão de Direitos humanos foram acionadas, conseguindo, com certa dificuldade, uma trégua. Enquanto isso, milhares de cidadãos em Tigray estão sendo desapropriados de seus bens, despejados e expulsos da região. Será que isso nos faz lembrar os horrores, que tomaram lugar durante a Segunda Guerra Mundial, contra judeus, ciganos e outras minorias étnicas? Segundo o autor norte-americano Mark Twain, a história não costuma repetir os mesmos versos, mas frequentemente eles rimam, o que nos faz pensar que os acontecimentos da história não acontecem de forma isolada, mas estão sempre, de alguma forma aproximada, conectados com fatos passados. Querendo ou não, partilhamos desse passado, ainda que o seja como meros observadores. E, como observadores, podemos perceber, nesse padrão de repetição, um aprisionamento conceitual não somente em certos eventos históricos, mas sobretudo em determinadas concepções políticas filosoficamente limitantes, as quais destoam de outras que visam o florescimento intelectual e moral como destino da humanidade. Não aprendemos com os nossos erros?

Enquanto ponderamos sobre nossas deficiências morais e conceituais, milhares estão condenados ao aniquilamento não por armas, mas por fome. Parece que quanto mais a humanidade progride em sociedades mais complexas, mais simples são as soluções para seus conflitos: eliminar o discordante. Tal é a civilização em que queremos viver: homogênea, pura e brutal?

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