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Democracias em risco: as sanções contra a Rússia e seu impacto nos países em desenvolvimento

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Desde o início oficial da guerra entre Rússia e Ucrânia, diversas nações têm enfrentado o impacto negativo em suas economias com a escalada de preços de alimentos e combustíveis. Isso se deve a sanções impostas `a Rússia – grande fornecedora de trigo e gás- pelos países do Ocidente em represaria à invasão da Ucrânia. Com o consequente aumento dos juros e da inflação, investidores estrangeiros começam a retirada de seus recursos dos países em desenvolvimento em buscas de solos mais estáveis. Soma-se a isso, a existência de um cenário pré-guerra economicamente debilitado pela dívida publica, causada pelos lockdowns e outras medidas de emergências, durante a pandemia do Covid-19. Os recentes conflitos desencadeados no Sri Lanka, por conta do aumento dos preços, expressam um sintoma do desequilíbrio das relações políticas tensas entre os blocos dos países ocidentais e dos países representados pela Rússia e China. Outros países, como o Paquistão e El Salvador, por exemplo, também tiveram seus governos seriamente desestabilizados.

Nesse cenário de crescente risco de fome e de ingerência de governos diante da crise, há uma real ameaça de protestos e rebeliões contra a democracia. Isso nos faz lembrar, em certa medida, a onda de protestos de civis desesperados contra as condições de vida opressivas, no final dos nos de 2010, nos países árabes, os quais tiveram seu foco na derrubada de ditadores. No caso em questão, no entanto, o risco de surgimento de ditaduras e governos fascistas torna-se algo possível, o que pode acontecer na ausência de engajamento das nações mais poderosas e de grupos como o G20 – formado por ministros de finanças e chefes de bancos centrais das 19 economias mais fortes do planeta – para minimizar as consequências negativas do conflito. No mundo globalizado em que vivemos, não há como delegar a responsabilidade de tais efeitos aos “sinais dos tempos”, cujos ventos sopram à revelia da vontade de políticos e do mercado. Há a responsabilidade e um preço a ser assumidos nas medidas impostas contra a Rússia e, certamente, todos pagaremos por isso.

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