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Diante de quem você chora as suas misérias?

Foto: Pixabay
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Se você chora as suas misérias diante de pessoas anônimas e desconhecidas, saiba que está cometendo um erro gigantesco, porque estes sujeitos serão os primeiros a duvidar da sua sinceridade, além de se aproveitarem de sua fragilidade emocional para perpetrar todo o tipo de maldade, como o sarcasmo ou o deboche, por exemplo.

Se você chora as suas misérias diante dos amigos, tome muito cuidado também. A história humana está cheia de casos em que os supostos companheiros acabaram por trair a confiança daqueles que ingênua e desavisadamente abriram confiantes os devastados corações.

E quanto aos familiares, devemos chorar nossas misérias mais amargas diante deles, uma vez que são o sangue do nosso próprio sangue? A resposta de novo é negativa, pois os membros da família, não raras vezes, são os mesmos que apontam o dedo e dizem sem dó nem piedade: “Tá vendo? A culpa é toda sua!”. “Bem que eu avisei, isso nunca daria certo!”. “Poxa como você é fraco!”.

Mas, então não há saída? Não há ninguém para revelarmos os miasmas mais íntimos? A resposta é peremptória, pois nasce baseada no maior livro já escrito desde a criação do mundo, o Eclesiastes.

Jamais confie seus horrores ao bicho humano. Confie tão somente em Deus, prostre-se diante Dele em silêncio e solidão e confesse os pecados. O Altíssimo já os conhece perfeitamente, mas Ele quer arrancá-los de sua boca trêmula e hesitante. Arrependa-se de todo o mal feito e peça ajuda no que necessitar.

Deus é como um pai generoso, tem o coração mole e acaba dando tudo o que o filho lhe pedir.

Mas, atenção: diante do sagrado não há como mentir ou tergiversar. Portanto, esqueça as desculpas esfarrapadas, retire as máscaras costumeiras e o vitimismo infantil (prevalecente em nossa sociedade) e revele o que vai no mais profundo do seu ser atormentado. Deus quer escutar os momentos nos quais as paixões e os vícios foram irresistíveis. Não tema a confissão das fraquezas, mas perceba o quanto elas te transformaram numa criatura triste e ranzinza.

Concordemos neste ponto: o que é a condição humana, senão uma batalha renhida e ininterrupta contra nós mesmos, nossas impurezas e as manipulações ardilosas do mundo?

No misterioso plano divino está inscrita a frase dourada: “eu quero ver você lutar e lutar e lutar, dia após dia, noite após noite”.

Esta é a essência do nosso cotidiano. Guerreamos o tempo todo contra a morte, as injustiças, a falta de amor, as doenças e os sofrimentos morais.

Mas, em nossos momentos de alegria (poucos é bem verdade) nos sentimos plenos, fortes, extasiados e temos aí uma prévia do que acontecerá um dia, quando estivermos face a face com a luz perene irradiando bem aventurança. Esta luz metafísica é a única capaz de nos consolar e dar autêntica e sólida esperança aos dias precários.

Talvez você argumente, do alto do ceticismo pós-moderno, que não pode tocar o transcendente porque crê nos intelectuais que dizem ser Deus alienação da consciência (Marx) ou ilusão inventada pelos fracos (Nietzsche).

Repitamos: nunca confie nos homens, por mais sábios que eles pareçam ser. Busque a solidão e o silêncio, porque o eterno só pode ser percebido nestas circunstâncias longe do convívio humano. Comece o diálogo devagarzinho e uma voz saindo da claridade lhe dirá amorosamente: “QUE A PAZ ESTEJA CONTIGO”!

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