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Maurina Pereira Carneiro: A Condessa que se fez jornalista (Parte 5)

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Em 1941, um duro golpe para a Condessa Pereira Carneiro, em 11 de março falecia seu pai, Dunshee de Abranches, na cidade de Petrópolis. Ela se ausentaria uns tempos da vida social e retornando logo após e engajada no afã de preservar a memória do saudoso pai. E a Condessa estaria presente, em 1943, para receber a imagem de Nossa Senhora de Copacabana, oferecida ao Brasil pela Bolívia e desembarcada de trem na Estação D. Pedro II, sob a mira de muitos fotógrafos e repórteres. Em 1946 em diante passa a ajudar a Escola Santa Tereza, instituição mantida pela Ordem Terceira do Carmo da Lapa, que amparava cerca de 300 crianças. E naquele mesmo ano acontecia na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, o casamento, que foi um acontecimento de excepcional relevo social, da srta. Leda Marina Marchesini, filha da Condessa Pereira Carneiro e enteada do diretor-presidente do “Jornal do Brasil”, Conde Ernesto Pereira Carneiro, com o sr. Manoel Francisco do Nascimento Brito, filho do Dr. José do Nascimento Brito e de d. Amy Avegno do Nascimento Brito, já falecida na ocasião.

Em 1955, no auge do poder e tendo a célebre e internacional colunista social Elza Maxwell como testemunha, a Condessa Pereira Carneiro, agora já viúva e evocando a terra do senhor do Bomfim, outorgava no consulado do Brasil em Nova Iorque, a “Ordem da Figa”, criada pelo prefeito de Salvador, Hélio Machado, para agraciar personalidades que prestavam serviços ao turismo da Bahia. No ano seguinte, a Condessa Pereira Carneiro seria condecorada com a comenda de Oficial da Ordem de Rubén Dario, pelo Embaixador da Nicarágua, Justino Sansón Balladares. D. Maurina era muito elegante e conhecida por essa particularidade desde a década de 1910, sempre usando chapéus o que tornaria uma de suas marcas registradas.  Em filme de Jacques Tati, nos anos 1950, um personagem dizia: “-Eu sou difícil de enchapelar!”. A Condessa, ao contrário, era facílima de enchapelar. Ficava muito bem de chapéu, como afirmava o colunista social Ibrahim Sued. E foi esse mesmo colunista que divulgou a presença da Condessa Pereira Carneiro, ao lado de personalidades como os casais srs. e sras. Álvaro Catão, Alfredo Tomé e Adlofo Graça Couto, mais a Princesa d. Teresa de Orleans e Bragança, na primeira missa de Brasília, celebrada em 1957 sob um toldo de lona verde, num altar tosco, e junto um Cruzeiro, distante seis quilômetros do aeroporto, recepcionados por d. Sarah e JK, mais Jango e o casal Israel Pinheiro. Durante a missa, um comentário da Condessa Pereira Carneiro a Alfredo Tomé: – “Mas que calor!”. Logo, chegaram ao local, atrasados, os índios convidados para a solenidade. No mesmo instante, Pedro Calmon, reitor da Universidade do Brasil, só acreditou na autenticidade dos índios depois de conversar com eles, por sugestão da Condessa. Os carajás foram então presenteados por JK com cocares, armas e calungas. JK ainda distribuiu esses presentes entre seus convidados mais íntimos como a D. Maurina, sendo flagrado mais pelos fotógrafos amadores que profissionais. Depois, no Rio de Janeiro, naquele mesmo 1957, a Condessa recepcionava, entre um grupo de diplomatas e de outras pessoas da sociedade (como o acadêmico Austregésilo de Athayde e o jornalista Herbert Moses), a Princesa Abida Sultaan, Embaixadora do Paquistão que retornava à capital.

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