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25 de julho – Salve Tereza!

Foto: Reprodução
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O estado de Mato Grosso, abrigou em suas terras, nos idos de nossa era, a líder quilombola Tereza de Benguela, uma das escravas trazidas da África Central, atual República de Angola.

Tereza liderou o Quilombo formado as margens do Rio Guaporé, que banhava a capitania de Vila Bela da Santíssima Trindade, que deu origem a este estado brasileiro, na divisa com a Bolívia.

Era o Quilombo do Quaritere ou o Quilombo do Piolho, sucedendo seu companheiro, José Piolho, após sua morte. Tereza, organizou o Quilombo em conselhos, implantou o cultivo do milho, feijão, bananas, aipim e até algodão, e por processos rudimentares, criou uma forma de tecelagem para ser utilizada na confecção de vestuários.

A comunidade do quilombo, era constituída por negros e indígenas que lutaram contra o regime escravista, em torno de 20 anos, até ser destruído em 22 de julho de 1770, pelas tropas de Luís Pinto de Souza Coutinho. A maioria da  população ali abrigada, foi aprisionada e morta. Os sobreviventes, foram marcados a ferro com a letra F, designando a condição de fujões. Tiveram as orelhas cortadas e, foram devolvidos a seus antigos donos à escravidão.

Tereza, foi colocada numa cela, e humilhada diante da multidão, tendo ficado muda e morrido logo após, em decorrência dos suplícios sofridos. Não bastasse, seu corpo foi profanado, mediante escalpo, tendo sua cabeça arrancada e dependurada num poste, de formas a exemplar a todos demais que a vissem.

Sua sanha, tornou- se um símbolo de resistência para as mulheres negras, na luta contra todas as formas de pré conceitos, exclusão e, contra o racismo a que são submetidas, mormente no que tange o genocídio que se abate sobre a população negra, notadamente, caracterizado pelo alto índice de feminicidios, que vem atingindo com maior contundência, as mulheres negras.

A esta situação, soma -se a constatação judicial, de julgamentos eivados da prática de interseccionalidade da justiça, cujas decisões, recaem com maior peso, sobre os cidadãos de etnia diversa, frequentemente, quando negros, como preconizado pela advogada, jurista docente, defensora de direitos civis americana, Kimberle Willians Cremshaw, e constatamos afluir em nossos tribunais.

Desta feita, a Lei n.12.987/2014, consagrou o dia 25 de julho, como o marco referencial de resistência nesta luta,  homenageando Tereza de Benguela, ao mesmo tempo que ratifica o Dia Internacional da Mulher Afro, Latino-americana e Caribenha, instituído no Congresso ocorrido em 1992, em São Domingo,  República Dominicana  que internacionalmente, dedicou a data a estas mulheres.

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