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Entrevista com o Dr. Sérgio Rocha: “Se eu pudesse pedir uma coisa, seria: pré-natal, pré-natal e pré-natal. O acompanhamento preventivo durante a gravidez é sempre a melhor forma de manter uma gestação saudável”

Foto: Reprodução
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Quando grávidas, as mulheres passam por muitas mudanças em seus corpos, hormonais e emocionais. Essas alterações podem vir a afetá-las de diversas maneiras e, no âmbito da saúde mental, podem catalisar transtornos mentais que não podem ser ignorados.

Esse fato não é normalmente exposto, mas o Dr. Sérgio Rocha, Mécido especialista em Psiquiatria e diretor-técnico da Clínica Revitalis, explica que a principal psicopatologia que afeta as mulheres durante a gravidez, é a depressão, mas isso não é uma regra.

Diversos outros transtornos mentais podem aparecer na gestação.

O doutor Sérgio Rocha que é médico especialista em Psiquiatria, fez residência médica pela Marinha em 2006. Em 2007 fez pós graduação latu sensu em Psiquiatria pela PUC-Rio, sendo convidado em 2009 para ser professor de psicofarmacologia e coordenador da pós-graduação em Psiquiatria da PUC-Rio, atuando assim até 2017.

Ele também é mestre em Neurociências pela IAEU, BAR — Espanha (2015), especialista em Dependência Química pela UNIFESP (2017) e pós graduado em Psicopatologia Fenomenológica pela Santa Case de São Paulo (2019). Atua na Clínica Revitalis como Diretor Técnico desde sua fundação em 2013.

O médico conversou com o Jornal DR1 sobre a depressão na gestação

Jornal DR1: De um modo geral, os diagnósticos de depressão e outros transtornos que afetam a saúde mental têm aumentado, há alguma razão específica para isso?

Dr. Sérgio Rocha: É difícil isolar uma causa específica até porque trata-se de uma patologia multifatorial, onde elementos genéticos, ambientais e sociais combinam-se para compor a doença. No entanto, podemos apontar alguns fatores como a alimentação de pior qualidade, a compulsão por mídias sociais em detrimento de relações presenciais, o afastamento afetivo familiar causado pela necessidade de cada vez mais se dedicar ao trabalho. Temos também uma redução do estigma com doenças mentais, o que promove maior procura por ajuda específica, resultando em mais diagnósticos que antes ficavam sem notificação.

Jornal DR1: As gestantes são um dos grandes casos de depressão, existe algum modo de prevenção?

Dr. Sérgio Rocha: Se eu pudesse pedir uma coisa, seria: pré-natal, pré-natal e pré-natal. O acompanhamento preventivo durante a gravidez é sempre a melhor forma de manter uma gestação saudável e de baixo risco tanto para a gestante quando para o bebê.

Jornal DR1: A depressão na gestação pode desencadear outros transtornos?

Dr. Sérgio Rocha: Qualquer doença mental pode, eventualmente, se transmutar em outra ou deixar o paciente mais vulnerável para o desenvolvimento de uma segunda. Um bom exemplo disso seria uma pessoa com Fobia Social que começa a usar bebidas alcoólicas frequentemente para lidar com exposição social. Com o tempo, essa pessoa pode desenvolver em paralelo a dependência alcoólica.

Jornal DR1: De alguma maneira, o bebê pode ser afetado quando a mãe passa por esse problema?

Dr. Sérgio Rocha: Sim. Alguns estudos mostram que, se comparadas a mães sem depressão, os fetos de mães depressivas tendem a se desenvolver mais lentamente. As causas exatas disso não são claras, mas podemos inferir que sejam pelos baixos cuidados que a mãe tem consigo (como alimentação, sono adequado, higiene) dentre outras hipóteses.

Jornal DR1: Somente quem já tem algum histórico de problemas, desenvolve a depressão, ou é um mal que pode atingir qualquer mulher?

Dr. Sérgio Rocha: Pode atingir qualquer pessoa. Obviamente quem já teve a doença ou é parente de primeiro grau de alguém que tem apresenta maior chance.

Jornal DR1: Como funciona a medicação nas pacientes gestantes?

Dr. Sérgio Rocha: Gestação é uma condição especial que altera bastante alguns parâmetros corporais (hormonais, renais, cardiovasculares, entre outros). Isso nos obriga a pensar com cautela qualquer introdução de psicofármacos. Naturalmente o ideal é fazer isso junto do obstetra. Tentar evitar algumas medicações, no primeiro trimestre, principalmente por risco de malformações fetais. Fora disso, o tratamento psiquiátrico bem feito é muito menos nocivo do que uma doença mental desgovernada. Para a mãe e para o feto.

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