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Estaremos retrocedendo a Idade Média?

Foto: Pinterest/Divulgação
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A estrutura característica do sistema feudal, na Idade Média, organizava o Estado em estamentos, seja, em grupos, de forma a inviabilizar a mobilidade social.

Desta forma, a ascensão dos indivíduos, tornava-se inviável para quem não pertencesse as clãs hierárquicas, das dinastias nobres.

Aquele que nascia servo, estava fadado irreversivelmente, a viver e morrer na mesma condição.

Nesta forma de organização social, típica da época, as pessoas eram condicionadas ao determinismo, princípio pelo qual, se acreditava
que cada um(a) estaria definitivamente marcado(a), pela condição determinante de sua ascendência, o que era estabelecido, pelo acúmulo de bens que detivesse e, o prestígio que gozasse o nome de família, no seio social.

Os estamentos, manifestavam-se pela existência de três categorias. A monarquia e, a nobreza, constituída pelo monarca e, pelos membros ligados à corte real. Eram os possuidores de terras e riquezas, os senhores feudais. O clero, representado pelos “homens da igreja”, detentores dos poderes da religião, que manipulavam contra os hereges.

A plebe ou servos, eram os que trabalhavam nas terras destes grupos, em troca de “segurança” e, alimentação, sob a égide e o jugo do
teocentrismo, acreditando que era Deus, quem havia determinado para
eles, este destino.

A visão teocêntrica, tendo Deus como responsável central de todas
as ações, nega o antropocentrismo, que vê o humano como ser capaz de operar mudanças, nas condições de sua própria vida, livrando-se da opressão.

O antropocentrismo, é observado, nas sociedades estratificadas,
onde se opera a mobilidade social, organizada mediante estratos, como na sociedade de classes, que favorece, ainda que de forma estrutural, uma certa cinesia aos seus co- cidadãos, porquanto, possibilita a cada um, a oportunidade e meios de adquirir cultura, melhoria funcional, e mesmo bens de consumo, para evoluir socialmente.

Entretanto, no Brasil, não temos encontrado, as condições necessárias para que isso aconteça. O que vemos, é o retrocesso, com a negação do mérito individual, substituído pelo nepotismo, o “compadrio”, que nos remete as oligarquias das clãs hereditárias medievais, concentradoras de riquezas. A má distribuição de renda, favorecida pela inepta administração pública. A insuficiência dos recursos para a satisfação dos interesses coletivos. Falta investimentos em serviços básicos, de segurança, dificultando também, o acesso a educação de qualidade, tudo corroborando para o aumento da pobreza incluída ai, a má alimentação, condições insalubres de moradia, a precarização da saúde.

Todo este arcabouço de mazelas, tem favorecido, a vulnerabilidade social, e a potencialização visível, da decadência do sistema de organização do Estado, o que poderia ser sanado, caso houvesse uma boa atuação da Justiça, através do judiciário, que ao que parece, age ao contrário de sua função constitucional, como bem salientou o Dr. Carlos Augusto Aguiar, em sua coluna Opinião (pág 06) no Jornal DR1 de 23 a 29 pp.
O que se vislumbra, é tudo isso, depondo notadamente, contra a ascensão das mulheres, em sua faina pelo reconhecimento de cidadania
plena, isonomia funcional e, da igualdade de gêneros, que sempre buscaram para juntamente com a face masculina da sociedade, impulsionarem o país para legar e, dotar as futuras gerações, da
mutabilidade necessária, à formação de um novo porvir, para o ente
humano.

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