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Deleite Linguístico: Letra cursiva: é importante reconhecê-la?

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Sei, meus caros leitores, o quanto para vocês pode parecer inútil abordar o reconhecimento da letra cursiva; mas esclareço que, enquanto professora de língua portuguesa, somente neste ano, verifiquei um quantitativo expressivo de alunos das turmas de sexto e sétimo anos que não conseguem acompanhar as aulas de várias disciplinas pelo fato de não entenderem a letra usada no quadro por alguns educadores. Ter essa constatação gerou um debate entre mim e outra professora que estava fazendo uma sondagem que eu também fazia, a fim de verificarmos a existência de estudantes analfabetos naquelas turmas. Por meio de um teste que idealizei e apliquei individualmente com os alunos, inferi algo que me deixou pasma! Muitos alunos pareciam analfabetos por nada copiarem; eram, de fato, desconhecedores da letra cursiva! Divulguei essa situação a ela e desta ouvi que o mundo é escrito com letra de imprensa e que o estudante não é obrigado a usá-la. Ouvindo tudo isso, constatei que muitos professores desconhecem a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em cujo texto direcionado ao primeiro e segundo anos, há dua habilidades: a primeira é “(EF01LP11) Conhecer, diferenciar e relacionar letras em formato imprensa e cursiva, maiusculas e minúsculas, para identificar, gradativamente, diferentes formas de uso e traçado”. A segunda é “(EF02LP07) Escrever palavras, frases, textos curtos nas formas imprensa e cursiva, mantendo a acentuação das palavras, para que apresente domínio da categorização gráfica.” 

Diante dessas habilidades, que deveriam ser aplicadas pelos professores dos anos iniciais, conhecedores de documentos norteadores, como a BNCC; defendo a necessidade de ser apresentada a letra cursiva ao alunado, não para que a ele seja imposto o uso dela; mas para que ele não se sinta incapaz de ler textos do quadro, um simples bilhete, uma receita culinária ou mesmo médica (com texto legível).Fazendo leitura de textos que abordam esse polêmico assunto, transcrevo um trecho, retirado da reportagem intitulada Como escrita à mão beneficia o cérebro e ganha nova chance em escolas: “Segundo a neurocientista Claudia Aguirre,“mais e mais pesquisas sustentam a ideia de que escrever letras em cursivo, especialmente em comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que facilitam e otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da linguagem”. Com isso, da próxima vez em que julgarem ultrapassado e desnecessário o reconhecimento da letra cursiva, reflitam sobre os benefícios obtidos com essa letra que, além de desenvolver a coordenação motora fina, colabora para o progresso de habilidades motoras que são úteis em funções do cotidiano, tais como desenhar e recortar. Além de personalizar seu texto, deixando nele sua marca!  

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