A democracia brasileira atravessa um momento de inflexão. Após anos marcados por embates intensos entre pólos ideológicos, o eleitor começa a manifestar um desejo legítimo por caminhos alternativos — menos ruidosos, mais construtivos. Segundo a pesquisa Genial/Quaest, 24% dos brasileiros preferem um candidato que não esteja vinculado nem a Lula nem a Bolsonaro, e 17% desejam alguém fora da política tradicional. Esses números não são apenas estatísticas: são sintomas de uma sociedade que busca reconectar-se com a essência do processo democrático.
A polarização, embora inerente à disputa política, torna-se nociva quando substitui o debate pelo confronto, a proposta pela caricatura, e o cidadão pelo militante. O artigo 1º da Constituição Federal consagra o pluralismo político como um dos fundamentos da República. No entanto, esse pluralismo tem sido sufocado por narrativas binárias que empobrecem o debate público e afastam o eleitor das soluções reais para os problemas cotidianos.
Nesse contexto, o surgimento de candidaturas alternativas — comprometidas com a escuta, a moderação e a inovação institucional — representa não apenas uma oportunidade eleitoral, mas uma necessidade democrática. A Lei nº 9.504/1997, que regula as eleições, reforça o papel dos partidos e candidatos em promover o esclarecimento do eleitorado. Isso inclui o dever de apresentar propostas viáveis, transparentes e alinhadas com os anseios da população, especialmente em temas como saúde, educação, segurança pública e sustentabilidade.
A busca por renovação política não significa rejeição à experiência, mas sim à estagnação. O eleitor quer ver ideias novas, mas também coerência, preparo e compromisso com o interesse público. Quer menos promessas e mais planos. Menos slogans e mais soluções. E, sobretudo, quer respeito à sua inteligência e à sua dor.
A Justiça Eleitoral, por sua vez, tem papel crucial nesse processo. Ao garantir a lisura do pleito, combater a desinformação e fiscalizar abusos de poder econômico e político, ela protege o espaço para que essas alternativas floresçam. A Resolução TSE nº 23.610/2019, por exemplo, estabelece limites para propaganda antecipada, mas permite manifestações políticas legítimas que não configurem pedido explícito de voto — abrindo espaço para que novas vozes se apresentem com responsabilidade e criatividade.
Diante desse cenário, é urgente que partidos, movimentos e lideranças compreendam o recado das ruas e das urnas. O Brasil não quer mais ser refém de extremos. Quer pontes, não muros. Quer diálogo, não gritos. Quer futuro, não repetição.
Portanto, cabe a cada cidadão refletir: estou contribuindo para a construção de uma democracia mais madura, plural e inclusiva? Estou disposto a ouvir o outro, a considerar o novo, a votar com consciência e coragem?
A alternativa à polarização não é o silêncio. É a ação consciente. É o compromisso com um país que precisa de todos — e não apenas de dois lados.
Que venha uma eleição de ideias, não de ídolos. Que vença o Brasil.





