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Aumento do Bilhete Único Intermunicipal aperta o bolso de quem salva vidas: impacto direto na Enfermagem do RJ

Foto: Ascom Alerj

Reajuste de 9,94% no BUI entra em vigor em 19 de dezembro. Para profissionais de enfermagem — muitos com jornadas longas, baixos salários e que dependem do transporte público — o aumento é mais que simbólico: é mais peso no custo da vida e no caminho até o plantão

Um reajuste de quase 10% na tarifa do Bilhete Único Intermunicipal (BUI) passou a preocupar diretamente os profissionais da saúde, especialmente os da Enfermagem, que dependem diariamente do transporte público para exercer seu trabalho. A partir de 19 de dezembro, a tarifa social do BUI vai subir de R$ 8,55 para R$ 9,40, conforme decretado pelo governador Cláudio Castro, segundo publicação no Diário Oficial. 

Trabalho mais caro para quem cuida da vida

O BUI é um benefício tarifário controlado pelo Estado do RJ para pessoas de menor renda: permite até duas viagens por dia com integração entre modais (ônibus, trem, metrô, barca, vans legalizadas), pagando o valor máximo fixado. 

Com a alta, muitos profissionais de Enfermagem — técnicos, auxiliares e enfermeiros —, que fazem deslocamentos complexos e longos todos os dias, terão impacto direto nos gastos com transporte.

Uma profissional que utiliza o benefício nos 22 dias úteis do mês vai passar a gastar aproximadamente R$ 18,70 a mais por mês, se mantiver dois deslocamentos diários.

Quem mais sofre?

Segundo a deputada Lilian Behring (PCdoB-RJ), o reajuste penaliza justamente os colegas de Enfermagem mais vulneráveis:

“Enfermeiras, técnicos e auxiliares já enfrentam jornadas exaustivas, plantões fora de hora e dois deslocamentos diários. Aumentar a tarifa agora é penalizar quem sustenta o SUS.”

Precariedade salarial e transporte caro

Além do aumento da tarifa, a deputada destaca outro ponto: muitos profissionais de Enfermagem recebem perto do piso da categoria. Esse reajuste no transporte, segundo ela, agrava a pressão sobre orçamentos já apertados.

“Muitos de nós vivemos uma realidade dupla: cuidar de pacientes por turnos exaustivos e ainda arcar com o custo do deslocamento. Esse aumento mina a qualidade de vida e pode até afetar a adesão a plantões mais remotos”, afirma Behring.

Repercussão entre os usuários

O BUI atende moradores de 20 municípios da Região Metropolitana do Rio, com renda de até R$ 3.205,20, segundo a Secretaria de Transporte do Estado. 

Para muitos desses usuários, o benefício é a principal alternativa de deslocamento entre cidades para trabalho, estudo ou tratamento de saúde

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