Em entrevista exclusiva ao Jornal DR1, a subsecretária da Mulher, Ruth Tebaldi, falou com intensidade, verdade e coragem sobre sua trajetória e sobre o trabalho que realiza no CEAM. Sua fala rompe o silêncio que aprisiona tantas mulheres e revela a força de quem transformou a dor em missão. “Eu já vivi o medo”, afirmou. E por isso luta para que nenhuma mulher precise viver isso.
Ruth começou explicando seu ponto de partida: a própria experiência como vítima de violência doméstica e de violência de gênero. Segundo ela, essa vivência a marcou profundamente e moldou seu olhar profissional. A violência não é apenas um episódio. Ela se instala, corrói e tenta calar. A violência não é só física, mas emocional também . Eu escolhi não me calar mais, disse. É dessa luta que nasce sua autoridade para defender, com firmeza, políticas públicas eficazes.
Antes de assumir a subsecretaria, Ruth já atuava no Instituto Vieira, onde se destacava pela forma humana de acolher mulheres fragilizadas. Ali, ela entendeu que cada atendimento é uma vida que pede socorro e que o acolhimento verdadeiro pode ser o ponto de virada. “Quando uma mulher chega destruída, ela quer alguém que acredite nela. E isso muda tudo”, afirmou.
Hoje, como subsecretária da Mulher, Ruth coordena ações essenciais dentro do CEAM (Centro Especializado de Atendimento à Mulher). O CEAM é uma unidade pública voltada exclusivamente para o atendimento de mulheres em situação de violência, oferecendo apoio psicológico, social e jurídico de forma gratuita, sigilosa e humanizada. É o primeiro passo para quem precisa romper o ciclo da violência, reconstruir a autoestima e retomar o controle da própria vida.
Ao falar do CEAM, Ruth é enfática: “O CEAM é o porto seguro quando o mundo da mulher desaba. É onde ela encontra escuta, orientação e proteção.”
No centro, a equipe multiprofissional acolhe vítimas de violência física, sexual, moral, psicológica e patrimonial. Ruth tem trabalhado para ampliar o atendimento, humanizar ainda mais os fluxos e garantir que nenhuma mulher saia de lá sem uma resposta. “Falhar com uma vítima é colocá-la novamente na rota do perigo. Aqui, cada minuto importa”, destacou.
Ela explicou que está investindo na capacitação contínua das equipes, na melhoria dos protocolos e na expansão da rede de proteção. “Acolhimento não é favor. É direito. E eu faço questão de que ele seja oferecido com respeito, sensibilidade e rapidez”, afirmou com firmeza.
Durante a entrevista, Ruth deixou claro que sua atuação não se limita ao cargo. Ela carrega uma missão. “Eu não estou em uma mesa. Eu estou na linha de frente. Eu sei o que acontece com uma mulher quando todo mundo ignora seu pedido de ajuda.
No CEAM, ninguém é ignorada.” Sua trajetória revela uma liderança que não opera apenas com técnica, mas com alma. Ruth Tebaldi é a prova de que políticas públicas ganham força quando conduzidas por quem conhece a dor e escolhe combatê-la todos os dias. Sua luta e empenho em coibir qualquer tipo de violência contra mulher mantém viva essa frase ; “Enquanto existir uma mulher com medo de voltar para casa, a nossa luta precisa permanecer em pé.”





