Naftali, o sexto filho de Jacó e o segundo de Bila, entra na narrativa bíblica sem grandes holofotes, mas com um significado profundamente atual. Seu nome carrega a ideia de luta e superação, nascido de conflitos familiares, disputas emocionais e rivalidades silenciosas. Ainda assim, a bênção que recebe aponta para um destino marcado não pela prisão do passado, mas pela liberdade do futuro.
Quando Jacó profetiza sobre seus filhos, define Naftali como “uma gazela solta, que profere palavras formosas”. A imagem é poderosa: um animal veloz, livre, que não vive preso a cercas, correntes ou limites artificiais. Naftali não é descrito pela força bruta, mas pela agilidade, pela capacidade de avançar com leveza e pela sabedoria expressa em suas palavras.
Nos dias atuais, Naftali se parece com aqueles que aprendem a sobreviver em meio à pressão sem perder a essência. Vivemos tempos de ansiedade coletiva, medo constante, excesso de informações e cobranças que tentam nos imobilizar. Muitos se sentem presos a diagnósticos, rótulos, traumas e expectativas alheias. A história de Naftali nos confronta com uma pergunta incômoda: por que continuar preso, se Deus nos chamou para correr livres?
A gazela não ignora os perigos do caminho, mas confia em sua capacidade de avançar. Assim também é a fé madura: não nega as lutas, mas escolhe não ser dominada por elas. Naftali nos ensina que liberdade não é ausência de problemas, e sim a decisão diária de não permitir que eles ditem quem somos ou até onde podemos ir.
Outro detalhe marcante é a referência às “palavras formosas”. Em uma geração em que discursos de ódio, polarização e agressividade dominam as conversas, Naftali representa o poder de uma palavra que cura, orienta e constrói. A boca que abençoa revela um coração livre. Quem vive aprisionado pela amargura dificilmente consegue falar com graça.
Naftali também nos lembra que não somos definidos pela origem, mas pela direção. Ele nasceu em um contexto complexo, mas não terminou como vítima da própria história. Em tempos em que muitos usam o passado como justificativa para permanecer parados, Naftali aponta para a responsabilidade de avançar, mesmo carregando cicatrizes.
Ser como Naftali hoje é escolher a leveza em meio ao peso, a fé em meio à incerteza e a liberdade em meio ao caos. É correr, não para fugir, mas para cumprir um propósito. É viver solto, não da responsabilidade, mas do medo.



