Jorge Gaitán Durán
Os homens já não vivem: como enterradas serpentes
No outono, como luas vagarosas no inverno,
No verão são águias ou tigres, sanguinários sóis
Que ardem no opaco mundo das coisas,
Guerreiros em vigília como os astros
Para que em imortais os converta o céu mentido.
Nobres ou perversos, mas efêmeros, porque é sua obra
Única por um instante arrancar do inferno
A mesma carne que aos deuses os delata,
Os amantes estão solitários na terra.
Ferozes, porque o que sempre dá recebe injustiça,
Querem ser como unhas ou dentes no outro,
Como a selva após a tormenta do verão, querem
Que ninguém veja sua debilidade, mas que se sofra violência.
Reunidos como belas bestas ou em fuga como criminosos
A luz os cega: o homem não tem tempo para reconhecer-se.
Se abraçam em sua miséria até encontrarem um corpo
Impenetrável onde só a morte toca fundo:
Suas bocas estão juntas, mas separadas seguem as almas.



