O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou o contraventor Rogério Andrade na segunda fase da Operação Pretorianos, deflagrada nesta quinta-feira (29). A ação tem como foco a atuação de policiais militares envolvidos na segurança armada do acusado, que já se encontrava preso por outro processo, relacionado ao assassinato do rival Fernando Iggnácio.
Nesta fase da operação, foram presos dois policiais militares aposentados: Carlos André Carneiro de Souza e Marcos Antonio de Oliveira Machado. A ação contou com o acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar.
Segundo o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os ex-PMs integravam a equipe de segurança pessoal de Rogério Andrade e atuavam diretamente em favor do contraventor e de seus familiares.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público aponta a existência de uma organização criminosa voltada à exploração ilegal de jogos de azar e à prática de corrupção ativa. O processo foi recebido pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da capital.
De acordo com as investigações, Carlos André Carneiro de Souza teria subornado um policial militar da ativa para obter informações sigilosas sobre operações policiais. O objetivo seria direcionar ações repressivas contra estabelecimentos clandestinos controlados por grupos rivais, no contexto da disputa pela contravenção no estado.
Preso em unidade federal
Rogério Andrade está preso desde novembro de 2024 no Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Ele é acusado de ser o mandante da morte de Fernando Iggnácio, executado em novembro de 2020.
Fernando Iggnácio, genro e herdeiro do contraventor Castor de Andrade, foi morto em uma emboscada no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, após desembarcar de um helicóptero vindo de Angra dos Reis. O crime marcou um dos episódios mais violentos da disputa pelo controle do jogo do bicho no Rio de Janeiro.
Sobrinho de Castor, Rogério Andrade passou a disputar territórios com Fernando Iggnácio e Paulo Roberto de Andrade, conhecido como Paulinho. Investigações indicam que a disputa, entre 1999 e 2007, resultou em cerca de 50 mortes, incluindo agentes de segurança pública.
Operação Pretorianos
A Operação Pretorianos foi deflagrada em março de 2024 pelo Gaeco, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar e da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Na primeira fase, 18 policiais foram presos e aproximadamente 50 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.
Ao todo, 31 pessoas foram denunciadas por envolvimento em organização criminosa. Segundo o Ministério Público, o grupo se autodenominava “Vampiros” e atuava para proteger Rogério Andrade, interferindo em operações policiais e monitorando agentes públicos.
Parte das provas foi obtida a partir da análise do celular de Márcio Garcia da Silva, conhecido como “Mug”, apontado como integrante do núcleo de gestão da organização criminosa. Em mensagens analisadas, ele menciona a simulação de ações policiais para criar uma falsa aparência de combate ao crime, sem prejudicar as atividades ilegais do grupo.
As investigações também identificaram registros de monitoramento de agentes públicos, incluindo fotografias e acompanhamento de veículos nas proximidades da residência de Rogério Andrade, reforçando a suspeita de uma atuação estruturada, permanente e organizada da quadrilha.





