A bebê baleada na Avenida Brasil recebeu alta hospitalar nesta quinta-feira após permanecer internada por 52 dias no Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. A criança, de 1 ano e 5 meses, foi atingida durante um ataque a tiros contra o carro em que estava com os pais, em dezembro, na altura de Campo Grande. O casal morreu no local.
A menina chegou ao hospital na noite do dia 9 de dezembro, em estado gravíssimo, com ferimentos provocados por disparo de fuzil na perna esquerda. Durante a internação, passou por procedimentos complexos e permaneceu sob risco de amputação por mais de 40 dias, segundo a equipe médica.
Ocorrência atípica
O resgate foi feito por uma equipe do programa Cegonha Carioca, da Prefeitura do Rio, que passava pela região no momento do ataque. O motorista Anderson Rodrigues e o enfermeiro Anderson Julião foram alertados por moradores sobre um capotamento próximo ao Viaduto Oscar Brito e encontraram a bebê dentro do carro, com sangramento intenso.
“Tínhamos poucos minutos para salvá-la. Esse tipo de ocorrência é completamente atípico para nós, já que nosso serviço é voltado para gestantes. A nossa ambulância, inclusive, não é equipada para casos assim. Tivemos que agir com muito cuidado e rapidez”, relatou o enfermeiro, em depoimento à Agência O Globo.
O motorista contou que precisou dirigir em alta velocidade para chegar ao hospital. Segundo ele, o trajeto foi feito em cerca de cinco minutos, tempo bem menor do que o habitual.
Os médicos afirmaram que a bebê chegou à unidade com pressão arterial extremamente baixa e alto risco de parada cardíaca. O ferimento à bala atingiu grande parte da perna esquerda, com fratura de fêmur e destruição de músculos e veias. Apesar da gravidade, a recuperação surpreendeu a equipe.
“Ela perdeu todo o sangue duas vezes, fraturou o fêmur. É um milagre vê-la viva, saudável, com as pernas em funcionamento. Agora, o mais importante é a fisioterapia”, explicou Júlio Coelho, médico coordenador da Pediatria, em depoimento à Agência O Globo.
Festa no hospital
Durante todo o período de internação, a avó paterna da criança permaneceu no hospital, acompanhando cada etapa do tratamento. Ela contou que não conseguiu viver o luto pela perda do filho, pai da bebê, para se dedicar integralmente à recuperação da neta.
“Eu moro neste hospital há 52 dias. Minha neta é a pessoa mais importante da minha vida. Não vivi o luto pelo meu filho, estou sendo forte por ela”, afirmou, em depoimento à Agência O Globo.
A alta da bebê foi marcada por uma homenagem organizada pela equipe do hospital. Profissionais de saúde se reuniram no corredor da Pediatria para aplaudir a saída da criança, e uma pequena festa temática foi preparada na recepção, emocionando familiares e funcionários.
Em nota, a Polícia Civil informou que a investigação sobre o ataque segue sob sigilo e está a cargo da Delegacia de Homicídios da Capital.





