A aula inaugural do ano letivo de 2026 do Pré-Vestibular Social do Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Sintuperj), realizada ontem (2), simbolizou muito mais do que o início de mais um ciclo de estudos. O encontro marcou o primeiro ano letivo após o reconhecimento oficial do Pré como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Lei nº 10.917/2025, de autoria da deputada estadual Lilian Behring (PCdoB).Com o tema “Da educação pública à ciência e saúde: de que forma o estudo pode transformar vidas”, a aula reuniu estudantes, educadores e profissionais, reforçando o papel histórico do pré-vestibular na democratização do acesso à universidade pública e na construção de trajetórias que rompem ciclos de exclusão.A deputada Lilian Behring, autora da lei, destacou o significado político e social do reconhecimento.“Transformar o Pré-Vestibular Social do Sintuperj em Patrimônio Cultural Imaterial do Estado é dizer, oficialmente, que o Rio de Janeiro reconhece o valor da educação popular, do esforço coletivo e da universidade pública como instrumentos reais de transformação social. Esse pré não é só um curso: é uma ponte entre o sonho e o direito”, afirmou.Servidora pública e com trajetória ligada às universidades, Lilian ressaltou ainda o papel dos trabalhadores na construção dessas histórias.“Os profissionais são fundamentais nesse processo. Eles sustentam, com compromisso e excelência, um projeto que muda destinos. Muitas dessas estudantes e desses estudantes só chegam à universidade porque encontram, aqui, acolhimento, formação e confiança”, completou.*Educação que transforma vidas*Entre os exemplos concretos do impacto do Pré-Vestibular Social está a história de Marilza Mendes, aprovada em primeiro lugar no curso de Direito da UERJ. Pessoa com deficiência visual, Marilza enfrentou desafios que vão muito além da sala de aula e transformou sua aprovação em um símbolo de resistência, capacidade e força coletiva.“Fui abraçada no Pré-Vestibular, ajudada, orientada, e, por conta disso, consegui atingir o primeiro lugar na aprovação. Para o sonho sair do papel e se tornar realidade é só se esforçar e focar, porque condições o Pré-vestibular e o corpo docente têm para nos dar”, disse a nova universitária.Para Lilian Behring, histórias como a de Marilza reafirmam a importância da política pública de educação.“Quando uma mulher com deficiência visual chega ao primeiro lugar em Direito na UERJ, não é só uma aprovação. É um manifesto. É a prova de que, quando o Estado investe e protege iniciativas como esse Pré-Vestibular, ele está investindo em justiça social e em futuro”, afirmou a deputada.*Um patrimônio vivo*Criado a partir da organização dos trabalhadores da universidade, o Pré-Vestibular Social do Sintuperj tornou-se, ao longo dos anos, referência na preparação de estudantes oriundos da escola pública, reafirmando o compromisso com uma universidade plural, democrática e acessível.Com o reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado, a expectativa é de que a iniciativa seja ainda mais fortalecida e protegida, garantindo que novas histórias de transformação continuem a ser escritas.“Esse patrimônio é vivo, pulsante e coletivo. Ele mora nas salas de aula, nas professoras e professores, e principalmente nos estudantes que se recusam a desistir”, concluiu Lilian Behring.



