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Deleite Linguístico: Bem-vindos, estudantes!

É a primeira vez que estudantes brasileiros são avaliados no teste (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
É a primeira vez que estudantes brasileiros são avaliados no teste (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Fevereiro finalmente chegou, trazendo o retorno às aulas e um constante desvio linguístico no emprego tanto do hífen quanto da vírgula. Parece bobagem, mas desafio vocês, meus caros leitores, a fazer uma célere pesquisa acerca da exposição dessa frase que aparece nas escolas onde seus filhos e netos estão matriculados. A questão que parece simples só me deixa preocupada com o domínio da norma-padrão de nossa Última Flor do Lácio. Primeiramente me dedicarei a relembrar que o uso do hífen faz parte do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990, pelo atual presidente Lula.

O prazo para seu emprego nos textos esgotou-se em 2016, logo há dez anos. Creio que já houve tempo suficiente para nós, usuários da língua portuguesa, nos apropriarmos de suas vinte e uma Bases. Para entrar na modinha da Trend muito forte de nostalgia chamada “2026 é o novo 2016″, reforço a urgência em dominá-las.

Comprovo isso, com a manchete de 21 de dezembro de 2015, do G1, na qual se lê o seguinte: “Regras do novo acordo ortográfico passam a valer em 2016.” No caso específico da frase, título deste texto, basta uma célere consulta ao site da Academia Brasileira de Letras, especificamente à Base XV do Acordo, que trata do emprego do hífen em composto, para tomarmos ciência de que nos advérbios “bem” e “mal”, usamos o hífen quando estes formam uma unidade semântica com elementos iniciados por vogal e h, exigindo o uso do hífen em “bem-estar”, ‘bem-humorado”. Essa regra, entretanto, não retira a dúvida de muitos usuários. Será que essa é a razão de muitos não usarem o hífen em “bem-vindos”? Para acabar com esse dilema, reproduzirei o texto do Acordo: “No entanto, o advérbio bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com palavras começadas por consoante”.

É aqui em que encontro a explicação para que usemos hífen em “Bem-vindos”, cujo termo se inicia pela consoante V. 

Sanada e comprovada a necessidade do hífen, vamos ao emprego da vírgula. Não é de hoje que falo sobre utilizá-la quando estamos nos dirigindo ao nosso interlocutor, chamando-o ou interpelando-o, o nosso conhecido vocativo, termo isolado da frase justamente pela pontuação. Recordaram-se, nobres leitores (Olhem o vocativo aqui, minha gente!)? É isso! Basta uma olhadinha ao nosso redor para termos um conteúdo linguístico repleto de explicações e merecedor de nossa atenção! Não é mesmo? Fevereiro de 2026 deve ser o novo 2016, portanto! 

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