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Deleite Linguístico:Edgar Allan Poe e sua contribuição para o carnaval 

Reprodução Internet

O carnaval está chegando, ou melhor, encontra-se em ebulição em diversas regiões do país, e eu deleitei-me com um conto de Edgar Allan Poe. Mas o que tem a ver este período pré-carnavalesco com esse grande escritor do gênero conto de mistério, policial e de ficção científica? Antes de me responderem, meus caros, recomendo aos avessos a essa festividade a leitura de um conto de 1842, intitulado “A máscara da Morte Escarlate”, que faz parte do livro Escaravelho de ouro e outras histórias, de Allan Poe. Que texto! Certamente os que entrarem em contato com essa narrativa farão correlação entre a Covid-19 e a peste fatal e hedionda que assolou metade da população do país onde reinava o príncipe Próspero. Sobre esse personagem, transcreverei que “o príncipe Próspero era feliz, destemido e astuto.”. E que ” brindou os amigos com um magnífico baile de máscaras”. As descrições levam-nos a inferir que esse príncipe Próspero era um carnavalesco nato capaz de ” combinar cores e efeitos.” Certamente estaria no comando de muitas escolas de samba, proporcionando um espetáculo de cores e de efeitos magníficos. Prova disso está explícita neste trecho: ” Menosprezando a mera decoração da moda, seus arranjos mostravam-se ousados e veementes, e suas ideias brilhavam como um esplendor bárbaro.” Que escola deixaria de ter um carnavalesco que fizesse uma festa onde, como no baile do conto, houvesse “muito brilho, resplendor, malícia e fantasia?” Todos nós sabemos que o carnavalesco é o “arquiteto” do desfile da escola de samba, transformando cada samba-enredo escolhido em um espetáculo grandioso.

Ao comentar acerca disso com meu querido amigo Cesar, ele fez-me a seguinte pergunta: – Fernandinha, qual o plural de samba-enredo? De forma festiva, disse a ele que, assim como o carnaval é democrático, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa apresenta duas formas de fazer a flexão desse substantivo masculino: sambas-enredo ou sambas-enredos. Obviamente reforcei que a primeira forma está ligada à regra dos substantivos compostos formados por dois substantivos em que o segundo elemento (enredo) especifica o tipo ou a finalidade do primeiro (samba), funcionando como um “adjetivo” ou determinante do primeiro elemento. 

Espero que não só Cesar como todos vocês, meus leitores, façam deste carnaval um momento de alegria e de muita leitura! Afinal, a escolha é sua!

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