A proposta de uma tarifa única de 15% para todos os países que não possuem acordo comercial com os Estados Unidos promete redesenhar o mapa do comércio internacional. A medida, associada à política econômica do presidente Donald Trump, altera regras históricas e pode transformar antigos parceiros em prejudicados — ao mesmo tempo em que abre oportunidades inesperadas para países emergentes, como o Brasil.
Um estudo divulgado pelo jornal britânico Financial Times aponta que nações como Japão, Coreia do Sul e a União Europeia, que antes contavam com condições comerciais mais favoráveis, passariam a enfrentar tarifas mais altas e perderiam competitividade no mercado americano. Por outro lado, países como Índia, China e o Brasil surgem como possíveis vencedores nesse novo cenário.
Especialistas afirmam que o Brasil pode se tornar um dos principais beneficiados, inclusive em meio a disputas internas nos Estados Unidos envolvendo decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos e interesses do governo federal. A mudança abre espaço para que produtos brasileiros ganhem participação no maior mercado consumidor do mundo.
Além da vantagem tarifária, economistas destacam a competitividade brasileira em setores estratégicos, especialmente no agronegócio e na chamada indústria de cadeia complementar — quando diferentes etapas da produção são divididas entre países. Esse modelo permite integrar a produção brasileira à indústria americana sem perder eficiência.
Um exemplo é o setor calçadista. Uma marca dos Estados Unidos pode desenvolver design e materiais em território americano e enviar os componentes ao Brasil, onde fábricas realizam a costura e a montagem dos calçados. Depois de finalizados, os produtos retornam ao mercado americano prontos para venda, com custos mais competitivos.
Analistas avaliam que esse tipo de integração produtiva tende a crescer, fortalecendo a presença de indústrias brasileiras nas cadeias globais de valor. Caso a tarifa única seja implementada, o comércio internacional poderá entrar em uma nova fase, marcada por rearranjos estratégicos e pela ascensão de novos protagonistas — entre eles, o Brasil.





