A transferência de Adilsinho para presídio federal está sob análise da Justiça Federal após a prisão do contraventor Adilson Oliveira Coutinho, conhecido como Adilsinho, realizada na quinta-feira (26). A audiência de custódia teve início ao meio-dia desta sexta-feira (27), e há possibilidade de que ele seja encaminhado ao sistema federal ainda hoje.
Adilsinho foi localizado em uma mansão em Cabo Frio, na Região dos Lagos, enquanto praticava exercícios físicos no terreno do imóvel. A confirmação de sua presença no endereço ocorreu após monitoramento com drone, utilizado pelas forças de segurança desde as primeiras horas do dia. A ação foi resultado de trabalho conjunto da Polícia Federal, Polícia Civil e Ministério Público Federal.
Durante a mesma operação, também foi preso o policial militar Diego D’Arribada Rebello de Lima, apontado pelas investigações como responsável pela segurança do contraventor. Ele está custodiado em unidade prisional da corporação, em Niterói.
Adilsinho figura na lista dos criminosos mais procurados do país, divulgada pelo Ministério da Justiça, e tinha ao menos cinco mandados de prisão em aberto. Segundo as investigações, ele integra a cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro e é apontado como um dos principais articuladores da produção e distribuição de cigarros falsificados no estado.
De acordo com a Polícia Federal, o grupo comandado por ele atuava de forma estruturada e armada, dominando territórios para comercialização de cigarros ilegais. A organização também teria atuação fora do Brasil e utilizaria intimidação para manter o controle das atividades criminosas.
“Importante ressaltar que esse marginal é responsável por dezenas de homicídios investigados pelas nossas delegacias da capital, Baixada Fluminense e da região de Niterói e São Gonçalo. Homicídios de rivais, desafetos, contraventores, integrantes da máfia do cigarro e também de alguns policiais”, disse o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, em declaração à imprensa.
O secretário afirmou ainda que a quadrilha pode ter ligação com o assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, ocorrido em 26 de fevereiro de 2024. “Ação extremamente ousada da quadrilha desse criminoso”, declarou.
A prisão ocorreu no contexto da Operação Libertatis, iniciada em março de 2023 pela Polícia Federal e com nova fase deflagrada em março de 2025. A investigação busca combater crimes como tráfico de pessoas, trabalho em condições análogas à escravidão, fraudes comerciais, sonegação fiscal e infrações contra o consumidor.
Na primeira fase, agentes federais fecharam uma fábrica clandestina de cigarros em Duque de Caxias. No local, 19 paraguaios foram encontrados vivendo e trabalhando em condições consideradas degradantes. Segundo a PF, eles enfrentavam jornadas exaustivas, sem salário e com liberdade restrita, além de estarem expostos a ambiente insalubre, com esgoto a céu aberto e acúmulo de resíduos da produção.
Dois anos depois, na segunda etapa da operação, 12 pessoas foram presas. Adilsinho era alvo naquela ocasião, mas não foi localizado.
Além das investigações relacionadas à máfia do cigarro, ele também é apontado como possível mandante de homicídios ligados à disputa na contravenção. Entre os casos citados estão as mortes de Marco Antônio Figueiredo Martins, conhecido como Marquinhos Catiri, além de outras apurações que tramitam sob sigilo.
A Polícia Civil também investiga a existência de um suposto grupo de extermínio associado ao seu nome, com pelo menos 20 crimes sob apuração, incluindo assassinatos e tentativas de homicídio.
Em meio às acusações, a defesa de Adilsinho informou que a prisão ocorreu de forma tranquila e sem incidentes. O advogado Ricardo Braga declarou que o cliente confia na Justiça e pretende provar sua inocência nos processos em andamento. Segundo ele, no momento da detenção, o contraventor realizava exercícios físicos em casa por orientação médica.
A decisão sobre a transferência de Adilsinho para presídio federal deve definir os próximos passos da custódia do contraventor e pode impactar diretamente o andamento das investigações em curso no Rio e em outros estados. A movimentação no caso mantém a atenção das autoridades e reacende o debate sobre o avanço do crime organizado no estado.



