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“KINTSUGI, 100 memórias”

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Após temporada de sucesso em São Paulo e no CCBB Belo Horizonte, e passagens pelos mais importantes festivais de teatro do Brasil, além de apresentações em Portugal e Costa Rica, a peça, com dramaturgia assinada pelo diretor carioca Pedro Kosovski – vencedor dos principais prêmios de artes cênicas do país, enseja o retorno do Grupo LUME aos palcos cariocas após uma década, trazendo mais um espetáculo com a marca do grupo de teatro com sede em Campinas (SP), fundado em 1985.

Seu núcleo de atrizes e atores pesquisadores desenvolve trabalhos de referência nacional e internacional junto à UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas), colaborando com o fomento à pesquisa da arte da atuação, com foco no desenvolvimento técnico e prático do ator. Tendo se apresentado em mais de 30 países, o LUME desenvolve, também, parcerias com coletivos, universidades, pensadores, mestres e artistas da cena mundial, o que levou o grupo a vencer o Prêmio Shell 2013 em pesquisa continuada.

Em 2026, o LUME comemora 40 anos de sua fundação com a circulação do espetáculo “KINTSUGI, 100 memórias”, mantendo a marca do reconhecimento acadêmico, de público e da crítica especializada com seus espetáculos executados a partir de extensa pesquisa, levando para o teatro temáticas bastante relevantes e chamando a atenção para a reflexão com debates significativos que transformam a experiência teatral.

Segundo o ator Jesser de Souza, que integra o elenco, “a concepção do espetáculo parte da premissa do reconhecimento das fraturas, das rupturas inexoráveis da existência, sejam elas individuais ou coletivas (pessoais, de grupo, de país…). O ponto de partida da pesquisa foi o Mal de Alzheimer, mas o espetáculo expande a patologia para o campo social. Ao tratar o Alzheimer mais como metáfora do que como doença, investigamos o esquecimento por opção: aquelas sombras que queremos deixar quietas; vasculhamos também, além do esquecimento provocado pela doença, o apagamento da memória como projeto e como isso se reflete na irracionalidade política do nosso país”, explica Jesser. “Reconhecimento e acolhimento são os primeiros passos para viabilizar a reparação, a reconstrução daquilo que um dia foi íntegro e cujos contornos se apresentavam bem delineados e intactos”, conclui o ator.

“O mal de Alzheimer foi o disparador do processo, que cobrou da equipe de criação ir além da doença, porque esta, é incurável e irreparável. As dinâmicas sociais e políticas (no micro e no macro) são passíveis de interferência, de restauração, de correção de rumo. Foi para este norte que miramos nossa bússola durante o processo de criação, iniciado em 2016, quando o país atravessava um momento sombrio e nossa frágil democracia – resgatada em 1985, ano de criação, coincidentemente, do LUME – era percebida à mercê de uma ruptura (cujos ecos ainda assombram) e caminhava em corda bamba”, afirma o dramaturgo Pedro Kosovski.

A Beleza da ImperfeiçãoKintsugi, filosoficamente, é “a beleza da imperfeição”, uma palavra japonesa que significa literalmente emenda com ouro. O título faz referência à técnica japonesa Kintsugi, que consiste em reparar cerâmicas quebradas com ouro, tornando a peça restaurada mais valiosa e resistente do que a original que não sofreu rupturas. A técnica, que dá nome à montagem, é evocada como metáfora logo na primeira ação da peça, quando os atores fazem um brinde e, em seguida, um vaso de cerâmica é estilhaçado no palco.

Ação que cobra dos artistas do LUME uma tomada de posição: de que modo juntar os fragmentos daquilo que um dia representou um contorno estável que os uniu enquanto grupo de teatro, durante tantos anos? No palco, 100 objetos ou referências concretas servem de suporte para as memórias dos intérpretes, do grupo e da própria história do Brasil – da ditadura à atualidade – alguns deles: relíquias de família, fotografias, diários, uma coleção de moedas, revistas e peças de roupa.

Serviço:

“KINTSUGI, 100 memórias”

Temporada: 04 a 29 de março de 2026

Horário: De quarta a sábado, 19h / aos domingos, 18h

Local: CCBB RJ – Teatro III – 2º andar

Classificação indicativa: 14 anos

Duração: 120 min

Gênero: autoficção

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), disponíveis na bilheteria física e no site do CCBB – bb.com.br/cultura

Meia-entrada para idosos, estudantes e demais beneficiários legais e no pagamento com cartões BB.