Em entrevista exclusiva, a delegada Dra. Fernanda Fernandes analisa o cenário da violência doméstica no Brasil, destaca a importância das medidas protetivas e compara políticas de proteção às mulheres entre Brasil e França.
O mês de março, marcado pelo Dia Internacional da Mulher, também se torna um momento importante de reflexão sobre o enfrentamento da violência doméstica e de gênero. Em entrevista concedida à coluna Direito da Mulher, a delegada Dra. Fernanda Fernandes compartilhou sua trajetória profissional e trouxe reflexões relevantes sobre a realidade das vítimas no Brasil.
Doutora e especialista em violência de gênero, Dra. Fernanda Fernandes relatou que sua vocação para a carreira policial se consolidou durante sua formação na academia de polícia.
Durante a entrevista, a delegada destacou um dado alarmante observado em pesquisas e na prática policial: a maioria das mulheres vítimas de feminicídio nunca chegou a solicitar uma medida protetiva de urgência. Muitas vivem por anos em um ciclo de violência sem buscar ajuda institucional, seja por medo, vergonha ou dependência emocional e econômica.
Outro ponto preocupante apontado pela delegada é que, mesmo quando algumas mulheres conseguem solicitar medidas protetivas, muitas acabam retomando o convívio com o agressor. Esse retorno ao relacionamento pode aumentar o risco de novas agressões e, em casos extremos, resultar em feminicídio.
A delegada também relatou uma experiência marcante vivida durante um intercâmbio com policiais franceses. Na ocasião, conheceu políticas públicas adotadas na França voltadas à proteção das mulheres vítimas de violência doméstica. Segundo ela, quando uma mulher decide romper com o agressor, o Estado pode oferecer moradia e um benefício financeiro para que ela consiga reconstruir sua vida com segurança.
Esse auxílio permanece até que a própria vítima declare que já possui condições de seguir sem o benefício, garantindo tempo e estabilidade para reorganizar sua vida longe da violência.
Para a delegada, essa realidade evidencia uma diferença importante em relação ao Brasil, onde muitas mulheres acabam permanecendo em relacionamentos abusivos justamente pela dependência econômica e pela falta de condições para recomeçar.
Nesse sentido, Dra. Fernanda Fernandes destaca que o enfrentamento da violência doméstica também exige políticas públicas que fortaleçam a autonomia econômica das mulheres, garantindo suporte social e condições reais de reconstrução de vida.
A entrevista reforça que informação, denúncia e apoio institucional são ferramentas fundamentais para romper o ciclo da violência.
Porque quando uma mulher é silenciada pela violência, toda a sociedade falha, mas quando ela encontra apoio para recomeçar, abre-se um caminho de esperança para muitas outras.





