Janja e Nikolas trocam ataques após projeto que criminaliza misoginia e ampliam a repercussão política da proposta nas redes sociais. A discussão começou após a aprovação, no Senado, do texto que prevê punições mais severas para condutas motivadas por ódio ou discriminação contra mulheres.
O embate teve início quando a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, publicou um vídeo celebrando a aprovação do projeto e criticando a atuação de parlamentares contrários à medida. Sem citar diretamente o deputado Nikolas Ferreira, ela fez referência a um político que, segundo afirmou, teria divulgado informações incorretas sobre o conteúdo da proposta.
“Tô passando aqui hoje pra comentar com vocês que foi aprovado nesta semana, por unanimidade, o projeto de lei que criminaliza a misoginia. Eu queria também deixar registrado um pouquinho da minha revolta com certo grupo de homens, talvez um em específico, que tem a cara de pau de ir na internet fraudar um projeto de lei disseminando fake news. Eu quero dizer que enquanto você, deputado, se preocupava em produzir um vídeo cheio de mentiras, uma mulher era assassinada”, afirmou, em publicação que alcançou cerca de 1 milhão de visualizações.
Na mesma gravação, Janja também mencionou que Minas Gerais, estado de origem do parlamentar, aparece entre os que registram altos índices de feminicídio.
A resposta veio dois dias depois. Nikolas Ferreira publicou um vídeo de cerca de 15 minutos rebatendo as críticas e elevando o tom do debate. O conteúdo ultrapassou 27 milhões de visualizações.
“Não adianta, com essa cara de sonsa sua querer enganar alguém. Esse projeto é, literalmente, uma forma de controlar o que pode ou não pode ser dito”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Entre 2003 e 2013, o governo do PT e o seu marido governou o Brasil. E aumentou a morte de mulheres em quase 10%”.
O deputado também criticou a postura da primeira-dama em outros episódios envolvendo o governo federal. “Não é defender as mulheres, é defender as mulheres que te convêm.”
O projeto aprovado no Senado prevê a equiparação da misoginia ao crime de racismo, endurecendo as punições para casos motivados por discriminação de gênero. A proposta estabelece pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa, para situações de injúria com esse tipo de motivação.
Atualmente, esses casos são tratados como injúria simples no Código Penal, com punições mais brandas. Com a mudança, a prática passaria a ser enquadrada na Lei do Racismo, tornando-se inafiançável e imprescritível.
O texto também amplia a legislação ao incluir como crime a indução ou incitação à discriminação contra mulheres. A proposta segue agora para análise da Câmara dos Deputados.
A polêmica mobilizou outros parlamentares, que também se manifestaram nas redes sociais. A deputada Sâmia Bomfim criticou uma publicação anterior de Nikolas, apontando que o conteúdo divulgado não correspondia ao texto aprovado.
“Você não tem vergonha de mentir e subestimar a inteligência dos seus próprios eleitores, Nikolas? Esse texto do vídeo não é do projeto aprovado no Senado”, afirmou.
A deputada Tabata Amaral também comentou o caso, criticando o parlamentar e a divulgação de informações equivocadas.
“Nikolas Ferreira mentiu pra você. De novo. O projeto aprovado pelo Senado que criminaliza a misoginia não tem uma vírgula do que ele publicou nas redes sociais”, declarou. Em outra publicação, acrescentou: “O mentiroso foi desmascarado. Refez o post, agora sem o trecho fake que usou pra caçar like, sem qualquer reparação ou consideração pelo prejuízo causado”.
Com a discussão ganhando força nas redes e no meio político, o tema segue gerando debates intensos e deve continuar no centro das atenções com a tramitação do projeto na Câmara.
E enquanto o texto avança no Congresso, o confronto nas redes mostra que a discussão está longe de terminar.





