O caso do frentista carioca desaparecido ganhou novos contornos e preocupa familiares que tentam entender o que aconteceu após a viagem ao exterior. O jovem, morador da Zona Oeste do Rio, embarcou com a expectativa de melhorar de vida, mas acabou envolvido em uma situação cercada de incertezas e suspeitas graves.
Joan Vitor dos Santos, de 27 anos, é casado e pai de uma criança de 3 anos. Antes de viajar, trabalhava em um posto de combustíveis e enfrentava dificuldades financeiras com a família, especialmente após um incêndio atingir a casa onde moravam, causando grandes prejuízos.
A oportunidade surgiu em fevereiro, quando ele recebeu uma proposta para atuar na construção civil em Joanesburgo, na África do Sul. A promessa incluía salário em dólar, além de apoio com moradia e alimentação durante um período de um ano. Diante da situação difícil, ele decidiu aceitar.
Durante as negociações, um homem que se apresentou como “Tommy” solicitou o envio do passaporte com urgência, alegando que seria necessário para a compra das passagens. Mesmo sem conhecer detalhes mais profundos da oferta, o jovem seguiu com os trâmites e embarcou no início de março pelo Aeroporto Internacional do Galeão.
Nos primeiros dias após chegar ao destino, Joan manteve contato com a família, tranquilizando os parentes e afirmando que estava bem. Ele chegou a dizer que aguardava receber o pagamento para enviar dinheiro e ajudar na reconstrução da casa.
No entanto, no dia 13 de março, toda comunicação foi interrompida de forma repentina, gerando preocupação imediata. A situação se agravou dias depois, quando a mãe recebeu uma chamada de vídeo de um número internacional.
Na ligação, um homem fardado apareceu ao fundo, enquanto outras pessoas podiam ser vistas deitadas. Em seguida, Joan surgiu rapidamente e fez um pedido direto de ajuda.
“Chama a embaixada”, disse ele, antes que a ligação fosse encerrada.
A partir desse momento, a família procurou ajuda das autoridades e registrou o caso na delegacia. A investigação passou a considerar hipóteses como tentativa de estelionato e extorsão internacional, enquanto os parentes também buscaram apoio junto ao consulado estrangeiro no Rio de Janeiro.
Dias depois, um novo contato trouxe mais informações, mas não diminuiu a angústia. Em outra chamada de vídeo, o jovem afirmou que havia sido retirado de um local onde estaria em situação crítica.
“Ele falava que estava sofrendo muito, que estava há três dias sem comer e que já tinham tirado eles de lá”, relatou a esposa, em depoimento ao Bom Dia Rio.
Segundo ela, a conversa foi rápida e demonstrava pressão.
“Ele estava pressionado a falar rápido, tinha pouquíssimo tempo, só para dizer que estava bem mesmo e para pedir que a gente compartilhasse e fosse à TV falar”, completou.
A mãe do jovem também revelou que autoridades diplomáticas alertaram sobre a frequência de casos semelhantes envolvendo promessas de trabalho no exterior.
“A vice-cônsul da África do Sul disse que isso é um golpe que está acontecendo lá e que há muitos casos desse tipo”, afirmou.
Apesar das investigações seguirem em andamento, a família acredita que o caso pode ir além de um golpe financeiro e levanta a suspeita de tráfico humano.
“Ele foi para lá para trabalhar com uma coisa e, chegando lá, fizeram isso com ele”, disse a esposa.
Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha o caso e presta assistência ao brasileiro por meio da embaixada na região. Outros órgãos também foram acionados, mas detalhes adicionais não foram divulgados até o momento.
A família segue mobilizada, tentando reunir informações e ampliar a divulgação do caso na esperança de trazer o jovem de volta em segurança.
A expectativa agora é que novas informações possam esclarecer o que realmente aconteceu — e se o sonho de uma vida melhor acabou se transformando em um dos golpes mais perigosos que têm se espalhado pelo mundo.





