Não sei vocês, meus caros leitores, mas eu tenho enorme dificuldade de entender o que leva seres humanos que, sendo ou não capazes de gestar, têm o reprovável hábito de ofender quaisquer pessoas. Quem me conhece sabe que sou desprovida de preconceito e que respeito o que o outro decidiu fazer de sua vida, opção que não é de minha conta… e que não deveria ser da conta de ninguém…. Lembrei-me do refrão deste samba-enredo, da Imperatriz Leopoldinense: “Liberdade, liberdade, /Abre as asas sobre nós/ E que a voz da igualdade / Seja sempre a nossa voz”.
Para a felicidade de uns e para tristeza de outros (um exemplo da figura de linguagem antítese), nossa língua é tão plural que nos permite utilizar diferentes figuras de linguagem. Duvidam disso? O que dizer de “Está difícil ganhar o pão nosso de cada dia!”; “Meu Volkswagen é vermelho.”; A juventude gosta de novidade.”; Li Machado de Assis para minha turma.”; “Bebi dez copos de água hoje.”? Esses são exemplos da figura de linguagem metonímia, na qual existem dois termos que se relacionam por pertencerem ao mesmo campo semântico, um substituindo o outro na expressão. De acordo com Manoel Pinto Ribeiro, em sua Nova Gramática Aplicada da Língua Portuguesa, “há uma contiguidade entre os termos”, podendo ser relações de causa e efeito; de marca e objeto; de abstrato e concreto; de autor e obra; de continente e conteúdo. Todas essas relações explicam os exemplos dados. E pensar que uma simples metonímia está gerando muita repercussão… Falo da observada em “imbecis”, cuja definição colhida no Dicio, dicionário on-line, especifica quem é “desprovido de inteligência, que é tolo ou idiota”. Reforço que todos têm liberdade de expressão. Polêmicas de fora, já que meu foco é a língua portuguesa, fiz nova busca, na mesma obra de Pinto Ribeiro, encontrando o significado do prefixo de origem latina “cis-”: “posição aquém”. Como seria isso possível? Ser “cisgênero” é estar em uma posição aquém? Descrente de que esse prefixo somente teria esse significado e que seria escolhido para “determinar pessoas que se identificam com o gênero atribuído ao nascer”, achei esta explicação no Dicio: ” Etimologia (origem da palavra cisgênero. Cis ‘no mesmo lado’ + gênero”; opõe-se ao transgênero (não identificação com o gênero de nascimento).” Logo vi que cis- também significa “do mesmo lado que”. Maravilha! Verifiquei ainda que, nas disciplinas de Química e Biologia; cis- é usado para indicar o mesmo lado.
Diante disso, quero crer sinceramente que a opção por usar” imbeCIS” não seja para determinar que um ser humano que se identifica com o gênero de seu nascimento é imbecil. Sou do grupo de seres que ainda acredita na humanidade! Peço humildemente que, como qualquer pessoa que falha, o usuário que a empregou reveja seus valores e que tenha consciência da importância do cargo que ocupa, a fim de que todos os brasileiros tenham a certeza de que o respeito e a ética são hegemônicos em nossas ações diuturnamente!





