A nova ciclovia na Tijuca começou a ser construída neste domingo (12) na Rua Conde de Bonfim, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A intervenção ocorre na mesma via onde, no fim de março, um acidente resultou na morte de Francisco Antunes, de 9 anos, e de sua mãe, Emanoelle Farias, de 40 anos, reforçando a necessidade de melhorias na segurança viária da região.
Com extensão de 1,2 quilômetro, o novo trecho será implantado entre a Rua Uruguai e a Praça Saens Peña. Apenas 60 metros da ciclofaixa serão instalados no canteiro central da via, enquanto o restante do percurso utilizará o espaço já existente, preservando as três faixas destinadas aos veículos.
As intervenções tiveram início com a atuação de equipes da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), responsáveis pela retirada de árvores e preparação do terreno. Segundo a Prefeitura do Rio, nove árvores de pequeno porte precisaram ser removidas, sendo que sete já apresentavam comprometimento estrutural e duas foram retiradas para posterior replantio.
Moradores e frequentadores da região manifestaram diferentes opiniões sobre a obra. O tatuador João Paulo Fonseca elogiou a iniciativa, destacando a importância da infraestrutura cicloviária para a segurança dos usuários. “Acho muito bom, estão ouvindo a gente. Acho que vai melhorar, com certeza, mas só aqui acho insuficiente. Tem que ter em outras vias importantes da Tijuca. Por toda cidade. Ciclovias salvam vidas. É importante a rapidez que vem sendo feita. Acho muito positivo nesse sentido. Vamos ver se ficará boa e se terá as normas de segurança”, afirmou.
A microempreendedora Gabriele Teixeira também demonstrou expectativa positiva com a intervenção. “Eu ando de bicicleta, mas pela calçada porque morro de medo dos veículos. Acho que será muito bom para todo mundo. Hoje em dia tem muita bike elétrica. Vai melhorar bastante. Tenho dois filhos andando de bike e sempre falo para tomar cuidado porque é perigoso”, disse.
Por outro lado, o jornalista aposentado Antônio Brás criticou a retirada de árvores e a ausência de debate prévio com a população. “A ciclovia na Tijuca é uma intervenção de um equipamento mais do que necessário, que já deveria ter sido feito há muito tempo. A crítica que eu faço é: como as intervenções são feitas sem uma discussão com a coletividade? Vai ter uma supressão de uma série de árvores em uma cidade mais quente, com menos permeabilidade. É necessário, mas poderia fazer sem a supressão arbórea que pretende”, destacou.
Além da Tijuca, outras regiões da cidade também recebem novas intervenções cicloviárias. Em Botafogo, será implantado um trecho de 90 metros na Rua Muniz Barreto, enquanto no eixo Glória–Cinelândia as obras ocorrerão nas ruas Augusto Severo e Mestre Valentim, ampliando a conectividade cicloviária entre os bairros.
As obras devem ser concluídas em cerca de três meses e fazem parte do plano da Prefeitura do Rio para expandir a malha cicloviária em 50 quilômetros até 2028, com investimento estimado em R$ 20 milhões.
A iniciativa contempla tanto a implantação de novos trechos quanto a requalificação da sinalização existente, beneficiando diversas regiões da cidade, do Centro histórico à Zona Oeste. A expectativa é que a nova ciclovia na Tijuca contribua para aumentar a segurança viária, incentivar a mobilidade sustentável e prevenir novos acidentes.





