O caso em que uma adolescente obriga menina de 11 anos a comer fezes de cachorro em um condomínio de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). A informação foi confirmada pelo delegado Mário Lamblet, titular da 72ª DP (São Gonçalo), responsável pela investigação.
Segundo o delegado, a adolescente apontada como autora do ato afirmou em depoimento que a motivação teria sido ciúmes de um garoto, alegando que a vítima estaria “dando mole” para um suposto namorado. Outra adolescente, responsável por filmar a ação e divulgar as imagens nas redes sociais, também prestou depoimento, afirmando que apenas acompanhou e registrou o ocorrido.
“A gente vai ouvir novamente a vítima e encaminhar o caso ao Ministério Público, que atua junto ao Juizado da Infância e da Juventude aqui da cidade. Em tese, a investigação está concluída e será remetida ao Ministério Público”, afirmou o delegado.
Como todas as envolvidas são menores de idade, caberá ao MPRJ definir as medidas socioeducativas e demais providências legais.
Relembre o caso
O episódio aconteceu em um condomínio localizado no bairro Galo Branco. De acordo com as investigações, a vítima foi levada a uma área de mata e coagida a ingerir fezes de cachorro. A ação foi registrada em vídeo pelas próprias agressoras e posteriormente divulgada nas redes sociais, o que ampliou a repercussão do caso.
Nas imagens, a vítima aparece sendo pressionada enquanto outras adolescentes riem e incentivam a situação. Em determinado momento, é possível ouvir a menina pedindo para que a agressão cessasse.
A avó da criança relatou o desespero vivido logo após o ocorrido. “Ela me ligou chorando muito e não queria me explicar o que estava acontecendo. Só pediu para eu ir lá correndo. Eu larguei tudo o que estava fazendo, saí correndo, e fui lá ver. Chegando lá, ela não queria me contar, ela só entrou direto dentro do carro e falou assim: ‘Vó, me tira daqui. Vamos sair daqui, vamos sair daqui’”, contou.
O caso gerou forte comoção e reacendeu o debate sobre violência entre menores e a importância de ações preventivas, acompanhamento familiar e suporte psicológico às vítimas.
As autoridades reforçam que situações de violência envolvendo crianças e adolescentes devem ser denunciadas. No Brasil, casos dessa natureza podem ser comunicados ao Disque 100, canal gratuito e disponível 24 horas para proteção dos direitos humanos.





