Medida faz parte de campanha para proteger valores socialistas e reforça controle sobre o acesso à internet no país
A China voltou a apertar o cerco contra plataformas digitais estrangeiras ao reforçar o bloqueio ao OnlyFans, classificado por autoridades e pela mídia estatal como uma “doença ocidental” e uma “influência corrupta” que ameaça a moral pública e os valores socialistas. Embora o acesso à plataforma nunca tenha sido oficialmente permitido no país, novas medidas adotadas entre 2025 e o início de 2026 ampliaram significativamente a repressão.
O país, que já opera sob um rígido sistema de censura conhecido como “Grande Firewall”, passou a fechar brechas utilizadas por usuários para acessar o serviço por meio de VPNs. Além disso, houve um endurecimento no monitoramento de transações financeiras ligadas à plataforma, dificultando qualquer tentativa de uso dentro do território chinês.
Autoridades chinesas têm adotado um discurso cada vez mais contundente ao justificar a medida. Em comunicados e reportagens veiculadas por veículos estatais, o OnlyFans foi descrito como um “pântano ocidental” e símbolo de “decadência moral”, sendo acusado de promover o individualismo extremo e conteúdos considerados incompatíveis com os padrões culturais e políticos do país.
O bloqueio integra uma estratégia mais ampla de controle digital, inserida na campanha conhecida como “Qinglang”, que busca “limpar” o ambiente online e proteger principalmente os jovens da chamada “erosão cultural estrangeira”. Nos últimos anos, essa iniciativa tem atingido influenciadores digitais, celebridades e diversas plataformas internacionais.
A decisão reforça o modelo de internet altamente regulada adotado pela China e reacende o debate global sobre liberdade digital, evidenciando o contraste entre políticas de controle estatal e a lógica mais aberta de acesso à informação em outras partes do mundo.





