Quando falamos de desmatamento no Brasil, acreditamos muito comumente que derrubar florestas é sinônimo de crescimento urbano, progresso e riqueza. Nada mais longe da verdade. Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e os dados de rendimento mensal dos municípios, de acordo com a base do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que as 50 cidades brasileiras que mais destroem a vegetação e comprometem o ecossistema têm, em média, renda 27% abaixo da média das outras cidades. Com base nas evidências estatísticas, podemos afirmar que o desmatamento não traz o desenvolvimento econômico que imaginamos.
A cidade de Lábrea, no Amazonas, por exemplo, está à frente das demais cidades que promovem o desmatamento. De acordo com o IBGE, sua renda média mensal é de R$ 1.590,46, um pouco mais da metade da média nacional, que foi de R$ 2.850,64 em 2022. Isso ocorre por conta da desigualdade econômica e social: em muitos lugares, onde a renda é um pouco maior, ela se concentra nas mãos de latifundiários. Desse modo, a maior parte da população não vê qualquer benefício de progresso. Dentro de tal cenário, uma questão ética se põe: por que destruir a natureza em favor de alguns poucos?
A discussão ética também levanta questões de ordem social e ambiental. Nesse sentido, o desmatamento é responsabilidade de todos, pois, além de prejudicar o meio ambiente, contribui para as mudanças climáticas que afetam a sociedade atual e têm consequências para as futuras gerações. Mesmo diante de questões legais relacionadas ao desmatamento ilegal, a fiscalização frequentemente acaba cedendo à pressão de interesses econômicos.
Desde a época da exploração do pau-brasil e do cultivo da cana-de-açúcar e da corrida pelo ouro no Brasil Colônia e Império, passando pela expansão da pecuária e pelas fazendas de café na República Velha, até a construção da Transamazônica na era Vargas e a expansão do agronegócio na ditadura militar, o Brasil sempre favoreceu o desenvolvimento econômico em detrimento da preservação das florestas. A ideia de consciência ambiental é relativamente recente na geopolítica. Ela abrange vários aspectos de práticas de políticas ambientais responsáveis, como o desenvolvimento sustentável, com investimento em tecnologias de energia renovável, a proteção do ecossistema e a redução das emissões de carbono. Com isso, a ideia de progresso só se realiza junto ao desenvolvimento econômico sustentável.
Portanto, o grande desafio de hoje e para futuras gerações está em crescer sem destruir. Para isso acontecer, devemos entender que a nova noção de progresso vem necessariamente acompanhada da ética da preservação e conservação do planeta. Ao estabelecermos nosso lugar de fala nas políticas globais de responsabilidade social e ambiental, preservaremos nossas maiores riquezas: a biodiversidade e o bem-estar coletivo.





